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quarta-feira, 27 de maio de 2015

O maior subsídio do mundo

O número é indecente: US$ 5,3 trilhões, isso mesmo, trilhões, de subsídios diretos e indiretos aos combustíveis fósseis no planeta por ano. Isso equivale a mais de 6% do PIB global e a mais do que todos os gastos de saúde em todo o planeta.
O cálculo não é de uma ONG radical, ou de um grupo de militantes antifósseis; longe disso, os dados são de um estudo publicado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e se baseiam na diferença entre os valores pagos pelos consumidores e os custos reais (true cost) dos combustíveis fósseis. Para chegar aos custos reais, os técnicos avaliaram os custos de suprimento e os danos que o consumo da energia causa às pessoas e ao meio ambiente.
Os subsídios diretos (valor do combustível abaixo do mercado internacional) somaram US$ 333 bilhões; os impactos das emissões de gases de efeito estufa e consequente efeito sobre aquecimento global, outros U$ 1,3 trilhão; e a poluição local nas cidades, a maior contribuição, US$ 2,7 trilhões.

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Somente os subsídios diretos superam todo o investimento recorde em energias renováveis em 2015, que foi de US$ 315 bilhões, segundo dados da Agencia Internacional de Energia.
Os EUA e a China representam mais da metade dos subsídios, seguidos da Rússia, União Europeia, Índia e do Japão.
Segundo estudo, os subsídios também são ineficientes e injustos, uma vez que os diretos em geral são capturados pelos mais ricos e os impactos recaem em especial sobre os mais pobres.
Na primeira vez em que o estudo foi realizado em 2011, a estimativa era de US$ 2 trilhões de subsídios. Uma avaliação mais acurada dos impactos econômicos da queima de combustíveis fósseis sobre a saúde humana foi o principal fator de mudança. Por exemplo, a Organização Mundial de Saúde estima que, anualmente, apenas na China, um milhão de pessoas tem morte prematura em consequência da poluição gerada pela queima de carvão e derivados de petróleo para geração de energia elétrica e transporte.
A precificação da emissão de gases poluentes e de efeito estufa, conjugada com a retirada dos subsídios diretos aos combustíveis fósseis, permite direcionar recursos preciosos para garantir acesso à energia aos mais pobres e promover as fontes renováveis de energia. Segundo o FMI, o impacto de aplicar os custos reais aos combustíveis pode chegar a 3,5% de saldo positivo para o PIB Global. E que melhor momento para fazê-lo do que o momento em que os preços do petróleo e carvão despencam no mercado internacional?
Não temos tempo a perder. O momento para eliminar esta pesada conta para a humanidade é agora. Estaremos salvando não só a pele, como o bolso.

Publicado em O Globo em 27.05.2015

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Meio bilhão

Segundo o IPCC — painel de cientistas da ONU para mudanças climáticas —, é necessário limitar as emissões globais de gases de efeito estufa em mil bilhões de toneladas de CO2 equivalente (CO2e) entre 2012 e 2100, para que possamos deter o aquecimento global em até dois graus até o fim do século.

Para se ter uma ideia do que isso representa, desde meados do século 19 até hoje foram emitidas cerca de 2.600 gigatoneladas de CO2 equivalente e deste total as últimas mil gigatoneladas foram emitidas entre 1990 e 2012. Se considerar o ritmo atual de emissão global anual, na casa de 52 gigatoneladas de CO2e, o limite proposto pelo IPCC seria esgotado em menos de 20 anos.

Os diversos cenários considerados pelo IPCC para alcançar o objetivo de dois graus indicam que as emissões devem ser reduzidas a menos de 20 gigatoneladas de CO2e em 2050. Considerando uma população atual de 7,2 bilhões de pessoas e, em 2050, em pouco mais de nove bilhões, a emissão per capita média global deveria cair das atuais sete toneladas de CO2e para cerca de duas toneladas de CO2e em 2050.

Segundo os dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima (SEEG/OC), o Brasil emitiu no acumulado de 1990 a 2012 um total de 46 gigatoneladas de CO2e, ou cerca de 4,5% das emissões globais no período. Em termos per capita, as emissões brasileiras chegaram a alcançar mais de 17 toneladas de CO2e na década de 90 e apenas a partir de 2005, com a expressiva queda do desmatamento, começou a regredir até que em 2012 convergiu para média global de sete toneladas de CO2e por habitante por ano.

No novo acordo global de clima em negociação até o fim de 2015, é esperado que todos os países assumam metas e compromissos para contribuir com a redução de emissões de forma a limitar o aquecimento global a dois graus.

Considerando o Brasil um país industrializado e de renda média, é razoável pensar que deveríamos chegar em 2050 com a emissão per capita pelo menos alinhada com a média global. O IBGE estima a população brasileira em 230 milhões de habitantes em 2050. Portanto, o compromisso brasileiro deveria ser orientado a limitar suas emissões a cerca de 500 milhões de toneladas de CO2e, ou cerca de um terço da 1,5 gigatonelada de CO2e emitida em 2012.

Com esta visão de longo prazo, é essencial orientar politicas de inovação e promoção do desenvolvimento do país que contemplem como diretrizes: zerar a perda de cobertura florestal, neutralizar as emissões do setor agrícola, reverter a tendência de queda na participação de fontes renováveis de energia na matriz energética, universalizar o tratamento biológico de resíduos sólidos e esgoto no Brasil com aproveitamento do biogás e dos materiais recicláveis e implantar iniciativas de captura e armazenamento biológico de carbono.


Publicado em O Globo em 29.08.2014

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Quando o Menor é o Maior

A área desmatada na Amazônia no último período anual (entre agosto de 2012 e julho de 2013 ) aumentou em 28% em relação ao período anterior. Apesar do aumento, os 5.843 quilômetros quadrados medidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) representam a segunda menor área anual desmatada desde 1988, quando teve inicio a série histórica de medições, e uma redução de quase 80% em relação ao pico extremo de desmatamento em 2004.
O problema é a reversão de tendência num momento de fragilidade proporcionado pelas alterações no Código Florestal. Desde 2004, a taxa de desmatamento na Amazônia tem caído consistentemente, com exceção de 2008, quando houve um aumento de 11%, que provocou uma forte reação do governo, com politicas de responsabilização da cadeia produtiva e alinhamento de instrumentos de crédito que levaram a novas quedas a partir de 2009.
Por outro lado, os dados preliminares do Laboratório de Geoprocessamento da Universidade Federal de Goiás (Lapig) apontam um crescimento do desmatamento no Cerrado nos últimos dois anos, e não será surpresa se os dados a serem publicados nos próximos meses apontarem uma taxa próxima a 8.000 quilômetros quadrados. Ou seja, o desmatamento no Cerrado já é muito maior do que o da Amazônia. Ainda falta colocar na conta a Mata Atlântica (220 quilômetros quadrados em 2012), Caatinga (sem dados atualizados, último dados de 2009 em 1.970 quilômetros quadrados), Pantanal e Pampa (ambos sem dados atuais). Seguramente, estamos falando de uma taxa de desmatamento atual no Brasil acima de 15 mil quilômetros quadrados ou 1,5 milhão de hectares. Ainda assim, uma redução importante em relação aos 4,6 milhões de hectares desmatados em todos os biomas brasileiros em 2004.
Mas isso é muito ou é pouco? É muito. É de longe ainda a maior área de desmatamento do planeta, mais do que o dobro do segundo colocado, a Indonésia. As emissões de carbono do desmatamento foram estimadas em 476 milhões de toneladas de CO2 pelo Sistema de Estimativas de Emissões de GEE do Observatório do Clima. Se fossem as emissões de um país seria o 20º maior emissor de CO2 do planeta.
É ótimo que tenhamos reduzido de forma dramática o desmatamento no Brasil nos últimos anos, e isso deve ser comemorado, mas estamos ainda longe de cumprir a meta estabelecida no Plano Nacional de Mudanças Climáticas (PNMC), de zerar a perda de cobertura florestal dos biomas brasileiros em 2015. Não devemos desistir desta meta, como os sinais dados pelo processo de revisão do PNMC dão a entender, e sim redobrar os esforços para cumpri-la, mesmo após o revés dos últimos dados. Revertemos o jogo em 2004 e 2008 e temos que reverter novamente agora e de forma ainda mais incisiva.
Publicado em O Globo em 20/11/2013

domingo, 17 de novembro de 2013

Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG)

Em 2012, eu fiz uma estimativa das emissões de gases de efeito estufa do Brasil até 2011. Este exercício serviu de base para o desenvolvimento do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estuda (SEEG) lançado oficialmente no dia 07 de Novembro em evento realizado em São Paulo.

O SEEG é uma inciativa do Observatório do Clima que compreende a realização de estimativas anuais das emissões de gases de efeito estufa (GEE) no Brasil, documentos analíticos sobre a evolução das emissões e um portal na internet para disponibilização de forma simples e clara sobre métodos e dados gerados no sistema.  

As Estimativas de Emissões de Gases do Efeito Estufa são realizadas segundo as diretrizes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), com base nos dados do Segundo Inventário Brasileiro de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases do Efeito Estufa, elaborado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e em dados obtidos junto a relatórios governamentais, institutos, centros de pesquisa, entidades setoriais e organizações não governamentais.


Cinco setores foram avaliados – Agropecuária, Energia, Mudanças de Uso da Terra, Processos Industriais e Resíduos – com dados anuais para o período 1990-2012. A partir desta publicação, o SEEG será atualizado anualmente.

A plataforma disponível na internet é super simples de utilizar e permite pesquisar os dados com vários níveis de detalhes além de permitir a visualização em gráficos e exportação dos dados em arquivo MS-Excell. 

Todos os dados tiveram a qualidade avaliada (tabela de qualidade dos dados) e notas metodológicas foram preparadas para cada setor e estarão disponíveis também no site.

Para acessar o SEEG:    seeg.observatoriodoclima.eco.br




segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Emissões Globais começam a desacelerar

Em 2012, aconteceu a primeira desaceleração das emissões globais não relacionada a uma crise econômica específica, mas em tomadas de decisão e evoluções das mesmas, em países-chave como Brasil, China, Estados Unidos e Canadá.
Segundo o Relatório 2013 de Tendências em Emissões Globais de CO2 publicado pelo Join Research Center da Comissão Européiaem parceria com o Ministério de Meio Ambiente da Holanda, as emissões globais de CO2 atingiram 34,5 bilhões de toneladas (Gt) em 2012, o que significa crescimento de 1,4% em relação a 2011, bem abaixo da média de 2,9% de crescimento anual da década passada. A economia global cresceu 3,2% em 2012 o que reforça a importância desta desaceleração.
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Vários fatores têm contribuído para esta desaceleração dos quais vale destacar estes:
1. Declínio expressivo de emissões no Canadá e dos Estados Unidos devido a substituição de carvão mineral por gás de xisto nas termoelétricas a um preço extremamente competitivo;
2. Novas regulamentações de limites de emissão para usinas termoelétricas nos Estados Unidos, totalmente desestimulantes a novas termoelétricas a carvão mineral;
3. Expressivo crescimento do investimento em energias renováveis – desde 1992, foram necessários 15 anos para dobrar a participação das energias renováveis não convencionais (biocombustíveis, solar e eólica) de 05 para 1,1% da matriz global e apenas outros 6 anos para dobrar novamente para 2,4% em 2012. A geração de energia por hidroelétricas cresceu 4,3% apenas entre 2011 e 2012;
4. Segundo o REN 21 - Renewables 2013 - Global Status Report, em 2012, as fontes renováveis ultrapassaram as fontes fósseis em potencial de geração de energia elétrica adicional instalada. Na Europa já representa 70% dos novos projetos e na China pela primeira vez ultrapassou o carvão mineral;
5. A nova regulamentação chinesa para o setor siderúrgico e termoelétrico que define metas progressivas de desaceleração e redução do uso de carvão mineral especialmente próximo aos grandes centros urbanos por conta da poluição do ar e água esta mudando a tendência de conformação destes setores;
6. Na Austrália e na Nova Zelândia, novos sistemas de taxação e mercado de carbono começou a funcionar em escala, ao mesmo tempo que o sistema europeu volta a tomar fôlego; e
7. O Brasil reduziu drasticamente as emissões de CO2 por desmatamento, especialmente na Amazônia. Na década passada, a perda de cobertura florestal global diminuiu pela primeira vez, desde que as medidas começaram a ser tomadas pela FAO no inicio do século passado.
O que tem sido crucial para esta nova tendência é a confluência de ações de países e regiões que representam mais de 50% das emissões globais e que, adicionalmente, são os motores das decisões em política climática global. Foi justamente a resistência de países como EUA, Canadá e China em se comprometer com avanços nesta agenda que impediu um acordo climático ambicioso em Copenhague, em 2009.
Se persistir e aprofundar esta tendência de desaceleração, é possível que tenhamos o pico das emissões globais antes de 2020, renovando as esperanças de conseguirmos colocar o planeta em marcha para uma forte redução das emissões nas próximas décadas, que seja compatível com o cenário de limitar o aumento de temperatura média do planeta em 2oC.
Esta nova conformação é, sem dúvida, a maior contribuição para garantir que, em 2015, em Paris, possamos finalmente ter o novo acordo climático global com metas e compromissos de todos os países para o enfrentamento das mudanças climáticas globais a partir de 2020.

Publicado em Planeta Sustentável em 04-11-2013

domingo, 8 de setembro de 2013

Um olhar sobre as emissões brasileiras de gases de efeito estufa

Em post recente, analisamos as emissões globais de gases de efeito estufa que superaram as 50 bilhões de toneladas de CO2e (GtCO2e). Para entendermos sua magnitude, analisemos este exemplo: um carro de passeio de pequeno porte, abastecido com gasolina, e rodando 20km por dia emite cerca de 1 tCO2e por ano. Cinquenta bilhões é muito e precisa ser reduzido a cerca de 10 Gt até 2050 para termos chances de limitar em 2ºC o aumento da temperatura média global.
Neste post, vamos falar das emissões brasileiras de gases de efeito estufa (GEE) tendo como base as estimativas de emissões publicadas em novembro de 2012 para o período de 1990 a 2011[1].
Se, em termos globais, a queima de combustíveis fósseis para geração de energia, em suas várias formas, representa 2/3 das emissões, no Brasil, a principal fonte das emissões, desde os anos 90, é a queima e degradação de biomassa resultante do desmatamento, seguida das emissões do setor agrícola, em especial o metano emitido pelo rebanho bovino (fermentação entérica – arrotos e flatulência – e dejetos).
Em 1995, devido as mudanças de uso do solo, em particular o desmatamento, as emissões chegaram a representar quase 80% das emissões que atingiram a marca recorde de 2,85 GtCO2e. Em 2005, ano do último inventário, as emissões por mudança de uso da terra ainda representavam 65% das emissões.

Em 2011, as emissões brasileiras foram de 1,58 GtCO2e, o que representa queda de 35% em relação as 2,43 GtCO2e emitidos em 2005, quando foi realizado o último inventário completo de emissões. Esta foi a maior redução de emissões de GEE no mundo, no período de 2005-2011, quando as emissões globais aumentaram cerca de 9%.
Trata-se de um resultado importantíssimo, mas que também revela uma realidade de fundo que precisamos enfrentar. Entre os cinco grandes setores que compõem as emissões (energia, agricultura, mudança de uso da terra, processos industriais e resíduos) apenas a mudança de uso da terra (eg. Desmatamento) teve queda de emissões (-64%). Em todos os outros setores houve aumento. Portanto, se desconsiderarmos a mudança de uso do solo, as emissões brasileiras cresceram 18% nesse período, ou seja, o dobro da média de aumento das emissões no nível global.

O caso da energia é particularmente preocupante. As emissões tiveram salto de 33% entre 2005 e 2011, consequência direta da redução da proporção deenergias renováveis em nossa matriz energética de pouco mais de 45% para menos de 43% (enquanto que a meta do planejamento energético previa aumento de 48% em 2020). Entre 2005 e 2011, a participação das emissões do setor de energia saltou de 14% para 27% no total das emissões brasileiras e continuou a subir em 2012, por conta dos subsídios à gasolina e ao acionamento das termoelétricas a diesel, carvão e gás, durante todo o segundo semestre de 2011.
Em 2009, o Brasil assumiu voluntariamente – por meio da Politica Nacional de Mudanças Climáticas e o Acordo de Copenhague – o compromisso de reduzir suas emissões em, pelo menos, 36% (36,1 a 38,9%), em relação às emissões projetadas para 2020. Para tanto, assumiu metas de redução com diferentes atividades como a redução de 80% do desmatamento na Amazônia e 40% no Cerrado, entre outras.
Em 2010, com a regulamentação da lei, a projeção das emissões foi fixada em 3,2 GtCO2e e, aplicando-se a redução de 36%, definiu-se o limite de emissões de 2 GtCO2e em 2020, o que representa redução de aproximadamente 9% das emissões líquidas de 2005.
Seguindo a trajetória atual, o Brasil deve cumprir a meta, mas deverá chegar em 2020 (ano em que deve entrar em vigor um novo acordo global de clima com metas para todos os países ) com as emissões em escalada, já tendo passado – nos primeiros anos desta década – o ponto mais baixo de emissões.
As emissões brasileiras chegaram a representar 7% das emissões globais em 1995. Em 2011, esse montante baixou para 2,5%, o que se aproxima muito mais da proporção da população mundial vivendo no país (2,8%). Hoje, nossa emissão per capita é comparável à média global de 7 tCO2e/habitante. Se projetarmos uma população global de 9 bilhões de habitantes e a necessidade de limitar as emissões em 10 Gt a emissão per capita, não deveremos superar 1,1 tCO2e/ha em 2050. Para manter a média global de emissões totais do Brasil nesse ano, considerando uma população projetada de 226 milhões de habitantes, seria necessário reduzi-las a menos de 0,3 GtCO2e, ou seja,  as emissões totais deveriam ser menores do que as emissões do setor energético hoje, que estão em 0,4 GtCO2e.
Embora complexa, a redução das emissões por mudança de uso da terra – em especial, desmatamento – e na agricultura é possível de ser realizada em um prazo relativamente curto, já que as emissões do setor energético e dos processos industriais tentem a ser muito mais permanentes pela duração dos investimentos. Exemplo: a cada nova usina termoelétrica implantada são “contratadas” emissões por 25 a 40 anos, que é a vida útil média destas instalações. Isso explica a grande preocupação com as decisões da politica energética, que propiciam aumento do uso de energias fósseis no Brasil.
Mas é possível alcançar tamanha redução das emissões de gases de efeito estufa no Brasil? Existem tecnologias e recursos ou, pelo menos, caminhos de desenvolvimento para chegarmos lá? Em outros artigos vamos explorar este desafio.
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Em julho de 2013, o Ministério de Ciência e Tecnologia divulgou as estimativas oficiais que cobrem o período entre 1990-2010,  com resultados bastante similares aos que servem de base para este post, porém com foco em emissões líquidas, ou seja considerando remoções de CO2. A diferença entre emissões brutas e líquidas é explicada na introdução do documento que publiquei em novembro 2012

domingo, 11 de agosto de 2013

Cinquenta Gigatons de Cinza

Em 2012, as emissões antrópicas de gases de efeito estufa atingiram 50 Gigatoneladas (Gt) de CO2e. Em outras palavras, as emissões derivadas de atividades humanas levaram a emissão do equivalente a 50 bilhões de toneladas de CO2.
Cerca de 70% é CO2 propriamente dito e o restante são os demais gases – em especial Metano (CH4) e Óxido Nitroso (N2O) convertidos em CO2 equivalentede acordo com eu potencial de aquecimento do planeta.
Vamos a alguns dados: Uma tonelada de CO2 é o que emite em um ano um carro popular rodando com gasolina, em cerca de 20/30 km por dia; O metano emitido em um ano por um bovino, por meio da fermentação entérica (arrotos e flatulências), é de cerca de uma tonelada de CO2e; Uma viagem de avião de São Paulo para Londres, em voo comercial, corresponde a emissões de cerca de uma tonelada de CO2e por passageiro.Por esta perspectiva, 50 bilhões de toneladas de CO2 são muito!
O planeta viveu ciclos de aumento e redução de GHG na atmosfera. Estes ciclos duravam milhares de anos e atingiam picos de 300 ppm de CO2 na atmosfera seguidos de reduções para até 170 ppm. Todos os anos, centenas de bilhões de toneladas de CO2 circulam entre atmosfera e superfície terrestre e, também, nos oceanos. Em períodos de aumento de concentração de CO2 na atmosfera, este balanço entre emissão e captura é positivo; já em relação às emissões em períodos de redução da concentração de CO2, o balanço é negativo.
IPCC – Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas aponta que, na ausência de emissões antrópicas, o balanço global de emissões/remoções de CO2 é negativo em cerca de 17 Gt CO2. Ou seja, o planeta estaria absorvendo 17 Gt a mais do que está emitindo como mostra a figura abaixo.
Usando dados relativos a década de 90, os oceanos emitem 332 Gt e capturam 338 Gt gerando uma captura líquida de 6 Gt. Já a vegetação e o solo capturam 11 Gt a mais do que as 439 Gt que emitem por ano.
Isso quer dizer que, sem as emissões antrópicas, a concentração de GHG na atmosfera estaria em declínio e não aumentando. Portanto, é correto dizer que uma fração importante do que emitimos é absorvido pelos oceanos e a vegetação, mas pelo menos 60% do carbono acaba se concentrando na atmosfera. Conseguimos, com nossas emissões, inverter o caminho natural do planeta que estava em um ciclo de redução da concentração de carbono. Desde meados do século XX emitimos mais CO2 do que o planeta é capaz de absorver/capturar.
No ritmo atual de emissões provoca um aumento anual de cerca de 3 ppm (partes por milhão) por ano na concentração de CO2 na atmosfera. Em 2013, chegamos 400 ppm. Mesmo que as emissões parassem de aumentar e fossem estabilizadas em menos de 20 anos, atingiremos os 450 ppm, limite de estabilização da concentração de CO2 definida para que tenhamos pelo menos 25% de chance de que o aumento da temperatura média do planeta não supere 2ºC (leia o post Por que 2º?).
Para estabilizarmos e eventualmente reduzirmos a concentração de CO2 na atmosfera, precisamos baixar as emissões líquidas de CO2 a níveis iguais ou menores que a capacidade de captura líquida dos processos naturais do planeta. Este é o desafio.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Leilão de Energia vai provocar aumento de emissões de CO2 no Brasil

O governo convocou, para final de agosto, o primeiro leilão de energia do ano (1º Leilão A5* 2013) para contratar energia que deverá ser entregue a partir de 2018 e abriu a possibilidade de entrada no leilão de termoelétricas a carvão e gás natural com contratos de 25 anos.

Dos 7.552 MWh inscritos no leilão, cerca de 2.400 MWh são de Termoelétricas a Carvão Mineral e 1.607 MWh são de Termoelétricas a Gás. Se todas estas forem contratadas – num cenário conservador, em que operem apenas no mínimo exigido de 50% do tempo -, irão emitir cerca 15 milhões de toneladas de CO2 por ano e, ao longo de 25 anos, mais de 370 milhões de toneladas de CO2, o que equivale as emissões totais de um país como a Argentina, no mesmo período. 
Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) do setor elétrico atingiram 28 milhões de toneladas CO2 (tCO2) no primeiro semestre, o que significa um crescimento de 132% em relação ao mesmo período de 2012, quando o consumo foi de 12 milhões de tCO2, ou seja, 334% maior que 2011.
Em 2012, as emissões totais do sistema elétrico integrado atingiu 34 milhões de tCO2, mais que o dobro de 2011.
Este aumento se deu basicamente pela operação contínua, desde meados de 2012, de todo o parque termoelétrico abastecido com gás, diesel, óleo combustível e carvão que, em geral, era acionado apenas em situações críticas de abastecimento. Com o novo leilão, a geração de energia por termoelétricas poluidoras tende a se perenizar.
É curioso ver que o próprio Plano Decenal de Energia 2021 (PDE2021), lançado em janeiro último, projetou que as emissões do Sistema Integrado Nacional (SNI*) não ultrapassariam 20 milhões de tCO2 em 2011 e 29 milhões de tCO2 em 2020.
A entrada das termoelétricas no Leilão suscita vários questionamentos. O primeiro deles é que o recém lançado PDE2021, que é apresentado como documento de referência para a definição do planejamento de contratação da geração e distribuição da energia elétrica, não prevê a contratação de termoelétricas a carvão, de 2012 a 2021. Além disso, o PDE 2021 indica a necessidade de se contratar, anualmente, cerca de 3 mil MWh por ano. Portanto, neste primeiro leilão A5 do ano (já está previsto pelo menos mais um até o final do ano), não é necessário contratar as termoelétricas com alta emissão, uma vez que as demais fontes (hidroelétricas e de biomassa), já inscritas, significariam importante oferta de cerca de 4 mil MWh.
Questões para reflexão e debate em posts futuros: 
- O novo regime da convenção de mudanças climáticas previsto para acordado em 2015 com entrada em vigor em 2020 deve envolver obrigações para todos os países em relação as emissões de gases de efeito estufa. Como isso será refletido nos contratos de 25 anos que serão assinados com as termoelétricas que ganharem os leilões?
- Que medidas poderiam ser tomadas no leilão para evitar ou compensar as emissões das termoelétricas?
- Será mesmo necessário contratar estas termoelétricas? Vivemos mesmo o “paradoxo ambiental” da redução dos reservatórios de hidroelétricas que nos empurra para termoelétricas com maiores emissões? Quais as alternativas?
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*Leilão A5:se refere a leilão para compra de energia a ser entregue daqui a cinco anos (neste caso, em 2018).
* SNI: Conjunto de geração, transmissão e distribuição que está conectado em rede em todo o país e é controlada pelo ONS – Operador Nacional do Sistema Elétrico.  Fora do SIN, há sistemas isolados, principalmente na região Norte, e unidades de auto geração de grandes consumidores (como fábricas de papel e celulose, por exemplo), não conectados a rede.

Por que 2ºC?

Uma pergunta frequente em debates sobre mudanças climáticas se refere ao objetivo acordado pelos países participantes da cop15, em 2009: Evitar que o aumento da temperatura média do planeta chegue a 2ºC. Mas por que 2ºC e não 1,5ºC ou 3ºC?

A Convenção do Clima foi aprovada em 1992 com o objetivo de “estabilizar a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera em um nível que previna uma interferência antropogênica perigosa sobre o sistema climático. Este nível deve ser atingido em um período suficiente que permita que os ecossistemas se adaptem naturalmente às mudanças climáticas, para assegurar que a produção de alimentos não seja ameaçada e permitir que o desenvolvimento econômico aconteça de maneira sustentável”.

Com apenas um relatório do IPCC – Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU publicado até então, nesse ano não havia elementos suficientes para definir metas mais concretas sobre o nível de concentração dos gases. A publicação do 4o. Relatório do IPCC, em 2007, apresentou uma série de dados e informações com maior grau de certeza sobre os cenários de aumento da concentração dos gases de efeito estufa, os impactos no aumento da temperatura e as possíveis consequências para o sistema climático global e para humanidade.

Nesse Relatório , o IPCC apontava que, em algum ponto entre 1,9ºC e 4,6ºC de aumento médio de temperatura, existe alto risco de ocorrer mudanças abruptas e irreversíveis no sistema climático envolvendo correntes oceânicas, derretimento de geleiras, aumento do nível dos oceanos, perda massiva de biodiversidade e de capacidade produtiva agrícola entre outros impactos. No caso da biodiversidade, indicava que um aumento de 1,5ºC a 2,5ºC pode levar a extinção de 20 a 30% das espécies.

Por outro lado, os diversos cenários desenhados por estudos científicos indicam que, para a temperatura não aumentar acima de 1,5ºC, a concentração de gases não pode passar de cerca 320 ppm. Acima de 400 ppm, a chance de limitar a temperatura em 1,5 ºC cai para menos de 10%. O relatório apontava ainda que a concentração de gases da atmosfera, em 2004, chegaria a 385 ppm, enquanto que, em milhares de anos até o final do século 19, não havia passado de 300 ppm.
Para poder planejar e construir um novo acordo sobre mudanças climáticas, mais efetivo e robusto, era preciso definir de forma mais concreta a referência para alcançar a meta da convenção. Limitar em 2ºC é uma decisão politica tomada em 2009, no âmbito do Acordo de Copenhague que procurava combinar a capacidade e os limites de adaptação às mudanças do clima e, ao mesmo tempo, as possibilidade e os limites para mitigar as emissões de forma a garantir o desenvolvimento dos países.

Dois graus representam quase o limite quase acima do qual as mudanças climáticas tornam-se abruptas e irreversíveis. Temos 50% de chance de limitar o aquecimento a 2ºC. Esse limite também serve de referência para embasar os programas de adaptação às mudanças do clima que, ainda assim, vão ocorrer.
O próprio Acordo de Copenhague reconhece que melhor seria tentar limitar em 1,5ºC quando propõe que, na avaliação da implementação do Acordo, prevista para 2015, a proposta seja reavaliada e reconsiderada.
O fato é que, em 2013, a marca de 400 ppm foi alcançada e não existem perspectivas de que o pico das emissões globais vá ocorrer antes de 2020. Portanto, o cenário de 2ºC está cada vez mais distante e as chances de que ele ocorra caem a cada dia. Nas condições atuais, as chances de a temperatura média subir 4ºC entre 2050 e 2070 é bem maior do que 2ºC. E este seria um cenário trágico que devemos evitar a qualquer custo. Como o aumento de temperatura médio não é homogêneo, determinadas regiões poderiam ter aumento médio de 10ºC neste cenário.

A temperatura média da Terra é de cerca de 14ºC. Um aumento de 2oC equivale proporcionalmente a uma febre de 40ºC em uma pessoa. Imagine o que significam 4ºC.
O 5º. Relatório do IPCC, que começará a ser divulgado em setembro próximo, deverá trazer ainda mais luz e informação sobre os limites que precisamos observar. A conferir.



quarta-feira, 10 de julho de 2013

Energia mais suja e cara

Entre 2005 e 2010 houve uma enorme mudança no padrão de emissões de gases de efeito estufa no Brasil.  Dados divulgados em junho pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, mostram que as emissões totais de GEE do Brasil caíram 38,7% resultado formidável e explicado pela queda de mais de 70% das emissões oriundas de desmatamento. Por outro lado, as emissões dos demais setores cresceram  quase 12% puxados principalmente pelo setor de energia que aumentou em 21,4% as emissões.

O setor de energia que representava 16% das emissões em 2005, em 2010 atingiu 32%. Desde então a situação só se agravou. As termoelétricas convencionais (diesel, carvão, gás) que deveriam ser utilizadas apenas como energia de reserva, ligada em situações esporádicas (em geral até 30 dias por ano) estão ligadas continuamente desde meados de 2012.

O Ministro de Minas e Energia acaba de anunciar o desligamento de parte destas termoelétricas a partir de julho. Para além dos enormes custos que ocasionaram (cerca de R$ 1,4 bilhão por mês) tiveram enorme impacto nas emissões de GEE.

Em 2011 as emissões geradas para produzir energia elétrica no Sistema Integrado Nacional foi de 14,8 milhões de tCO2 (o equivalente a emissão de 14 milhões de carros populares rodando com gasolina). Em 2012 estas emissões ultrapassaram 34 milhões de tCO2, ou seja, um aumento de 130%. Apenas nos seis primeiros meses de 2013 as emissões já superam 28 milhões de tCO2.

Neste contexto, é um paradoxo a decisão da Empresa de Planeamento Energético e do MME realizar um leilão exclusivo para energia de termoelétricas, com destaque para o carvão mineral, a fonte mais poluente.  A lógica é de trocar a geração de reserva por geração de base, continua, com vistas a redução de custos. Assim, o que antes era um aumento circunstancial das emissões se tornará um fato consumado e sedimentado para os próximos anos, tornando mais poluente nossa matriz energética no momento em que o planeta precisa de energia mais limpa.

Enquanto isso desperdiçamos cerca de 2 GWh de potencial de produção Eólica (já instalados e prontos para operar) e outros 4 GWh de cogeração com bagaço de cana por falta de linhas de transmissão e entraves burocráticos.  Se tivessem sendo aproveitadas estaríamos evitando mais de 50% das emissões das termoelétricas ligadas nos últimos meses.

Ainda  é tempo de rever o leilão de termoelétricas marcado para agosto e recolocar o Brasil no trilho de uma matriz energética mais limpa.

Publicado em O GLOBO em 10/07/2013



quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Partindo na contramão

A cena é chocante. De qualquer ponto um pouco mais alto nas grandes cidades brasileiras se observa, especialmente nos períodos de inversão térmica no inverno, uma densa camada cinzenta flutuando sobre a área urbana.  Só em São Paulo o Laboratório de Poluição Atmosférica e Saúde da Faculdade de Medicina da USP estima que 4 mil pessoas morrem por consequências desta poluição causada essencialmente pela circulação de veículos na cidade. 

Além de comprometer a saúde, os veículos representam mais da metade das emissões de gases de efeito estufa da cidade.

A poluição dos veículos esta relacionada de forma simplificada e quatro fatores: o tamanho da frota de veículos, o tipo de combustível utilizado, a intensidade de uso dos veículos e a eficiência e regulagem dos motores.

Hoje vivemos um sistema perverso:  insuficiência e ineficiência do transporte público associados aos incentivos econômicos para veículos particulares (crédito fácil, subsídios etc) favorece o aumento da frota em circulação que travam o trânsito o que por sua vez aumenta a intensidade de uso dos veículos, inclusive os de transporte publico. Para complicar ainda mais o subsídio a gasolina diminui o consumo de alcool (menos poluente). A resultante é aumento de emissão de poluentes.

Nos últimos anos um dos fatores que tem amenizado os impactos deste quadro em São Paulo é programa de inspeção veicular obrigatória que controla da variável regulagem dos motores.

De uma forma simples trata-se de verificar anualmente se os veículos estão respeitando os limites de emissão para cada modelo. Quando é reprovado o veículo deve ser regulado e refazer o teste. Em 2011, 25% dos veículos foram reprovados na primeira inspeção, em 2012 este percentual caiu para 20%. Ao contrário do que se imagina, veículos novos também são afetados. Em 2011, 8% dos veículos com até 5 anos foram reprovados.  Cerca de 500 mortes foram evitadas em SP em decorrência das regulagens de motor provocadas pela inspeção veicular.

Diante deste quadro seria razoável  que o novo prefeito de São Paulo ao assumir buscasse fortalecer o programa de inspeção veicular para reduzir a absurda taxa de 20% dos veículos reprovados. Ao invés disso, o Prefeito Fernando Haddad ao assumir propôs, como uma das primeiras medidas, rever o programa tornando-o bianual, subsidiado pela prefeitura e isentando os carros com até 5 anos.  Em suma, enfraquece o controle de poluição e aumenta o subsídio ao transporte individual às custos dos cofres públicos.

O uso transporte individual beneficia basicamente o seu usuários direitos, mas os custos de seus impactos decorrentes no trânsito, manutenção de vias, saúde entre outros  recai sobre toda sociedade.

Ainda é tempo do novo prefeito esquecer este infeliz início e focar nas políticas de mobilidade urbana para ampliar a oferta, qualidade e eficiência e estimular o uso do transporte público e restringir, limitar e desestimular o transporte motorizado individual. Enfim, sair da contramão.  

Publicado em O Globo, em 09-01-2013

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Brasil (1990-2011)

Durante os últimos dois meses procurei fazer uma estimativa atualizada (até 2011) independente das emissões brasileiras de gases de efeito estufa.

A base do trabalho foi reproduzir a metodologia do 2o Inventário Brasileiro de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa - publicado em 2010 pelo MCT com dados de emissões até 2005.  Sem o rico material produzido por dezenas de profissionais de diferentes instituições e publicado pelo MCT, incluindo os detalhados relatórios de referencia, não teria sido possível gerar as estimativas.

Apesar de se basear na metodologia do 2o inventário, em nenhum aspecto esta estimativa de emissões pretende substituir ou ser percebido como o inventário de emissões, uma vez que o inventário envolver a revisão dos fatores de emissão um nível maior de precisão de dados.

Todas as informações utilizadas para estas estimativas são públicas e disponíveis na internet. Mais pra frente publicarei as planilhas com as referencias e fontes de todas as informações e uma explicação de como foram feitos os cálculos.

A versão preliminar das estimativas está neste link:
Estimativas de Emissões de GEE no Brasil 1990-2011