segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Mudança Climática? Quanto, onde?

Mapas interativos mostram variação de temperatura e aumento do nível do mar em todo o planeta
Compilando informações da NASA, a equipe da revista New Scientific lançou mapa interativo que permite visualizar a variação da temperatura desde 1850, em qualquer localidade no planeta. É possível comparar diferentes períodos como, por exemplo, a média de temperatura de 1994 a 2013 com a média de 1950 a 1980.
Com base nele, observamos que a temperatura média tem subido em todo o planeta e mais intensamente no extremo do Hemisfério Norte.
No Brasil, o local com maior aumento de temperatura é o meio do sertão nordestino, entre os estados do Ceará e do Piauí. Enquanto a média global de aumento foi de 0,8ºC, nesta região chegou a quase 2ºC.
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Com dados e método desenvolvido pelo Potsdam Institute for Climate Impact Research, da Alemanha, a New Scientific produziu outro mapa interessante, também interativo, que revela o aumento dos oceanos em todo planeta, até 2100, em dois cenários: otimista (menos aumento) e pessimista (maior aumento). No Brasil, o mar pode subir entre 40 e 80 cm nesse período.
Abaixo, compare a diferença no nível dos oceanos em 2100, no “melhor” (mais claro) e no pior cenários:
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Publicado em Planeta Sustentável em 17/02/2014

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Não tem chuva, vamos de sol!

O Brasil voltou a conviver com o risco de apagões. Entre os diversos fatores que poderiam explicar o aumento de risco três são claros:
- (i) a baixa precipitação no período em que se espera mais chuva tem levado a rápida redução do volume de água nos reservatórios, especialmente na região centro-oeste, sudeste e nordeste;
- (ii) para compensar a baixa nos reservatórios, o sistema de termoelétricas de reserva está acionado em capacidade total e grande volume de energia e precisa ser transmitido a longas distâncias, especialmente da região Norte para as regiões sudeste e centro-oeste, provocando estresse dos limites de segurança de operação do sistema de transmissão;
- (iii) os recordes de calor têm provocado sucessivos picos recordes de demanda de energia para acionamento de sistema de refrigeração.
No curto prazo, não há solução fácil. São fundamentais medidas como a contenção da demanda (ex. regramento de uso, contenção de desperdícios, racionamento) e o aumento da capacidade de suporte do sistema de transmissão.
No lado da oferta, todas as termoelétricas do sistema de reserva foram colocadas em operação 24h por dia, gerando, em janeiro, cerca de 11 mil MWh médio, o que resultou em enorme aumento de custos da energia (ultrapassa R$ 1 mil por MWh). Projeções oficiais conservadoras apontam para a necessidade de repasse de, pelo menos, R$ 10 bilhões na conta do desenvolvimento energético, apenas em 2014.
Outra consequência é o aumento das emissões de gases de efeito estufa (GEE) do setor elétrico. As emissões da energia gerada e distribuída por meio do SIN – Sistema Integrado Nacional saltaram de 10,7 milhões de tCO2 em 2009 para 51 milhões tCO2 em 2013, ou seja, cresceram mais de quase 500%.
Uma das caraterísticas mais marcantes dos picos de demanda de energia neste verão é o seu deslocamento para o meio da tarde. Se antes os picos de energia se concentravam entre 17h e 22h (é o chamado horário de ponta na terminologia do Operador Nacional do Sistema Elétrico), agora os recordes de demanda ocorrem entre 14h e 16h, auge do calor. A única região que continua com recorde de pico no período noturno é a região norte, justamente a que mais exporta energia para as regiões sudeste, centro-oeste e nordeste.
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Este deslocamento pode ser visto como uma oportunidade para implantação maciça de geração de energia solar fotovoltaica distribuída. O pico da demanda coincide com o pico de insolação nas regiões demandantes de energia, em especial no horário de verão. Segundo estudo publicado em 2012 pela própria EPE, um m2 de painel solar instalado no Brasil pode gerar de 1260Wh a 1420Wh de energia, quase 30% a mais do que o mesmo painel na Alemanha, maior produtor de energia solar europeu.
instalação de painéis solares em grande escala é uma estratégia que pode atacar vários problemas ao mesmo tempo e preparar o Brasil para os próximos verões. A instalação de sistemas solares distribuídos é rápida (alguns meses) e não exige sistemas de transmissão, pelo contrário: reduzem a demanda de energia no sistema integrado a medida que a geração acontece localmente. Além disso, reduzem drasticamente a emissão de gases de efeito estufa – estes, aliás, agravadores dos problemas climáticos como prolongamento dos períodos de estiagem.
Como são geradores de energia individual, esses painéis podem ser montados com sistemas de financiamento direto ao consumidor residencial ou comercial, reduzindo verdadeiramente o custo de energia. O estudo da EPE mostra que, levando em conta os valores de 2011, mesmo com todos os custos indiretos (praticamente não existe incentivos tributários), o custo da energia solar (cerca de R$ 500 a 600/MWh) era competitivo em relação ao preço da energia para o consumidor final praticado por 28 de 63 concessionárias em todo Brasil. Atualmente o custo da energia solar é mais baixo: caiu para R$ 300 a 400/MWh.
O custo da energia solar distribuída é menos da metade do custo das termoelétricas de emergência, agora acionadas. Ou seja, cada mil MWh de energia termoelétrica substituída por solar pode significar economia de cerca de R$ 500 mil.
O preço de instalação para o consumidor final é de R$ 6 mil/KW de potencial de geração (sem incentivos, o custo do sistema está em torno de R$ 4,5 mil/KW aqui no Brasil). Para uma geração de 1 mil MW, nas horas de sol, seria necessário investimento de R$ 6 bilhões (metade do que está indo pelo ralo em um ano para cobrir a conta das termoelétricas). Assumindo uma operação média de 8 horas/dia e 40% de aproveitamento, seriam 3,2 mil MWh a menos demandados do sistema integrado e de termoelétricas, possibilitando economia de R$ 2 milhões/dia ou R$ 600 milhões/ano, com menos demanda sobre o sistema de transmissão, o que contribui para evitar sobrecarga, com menos emissões.
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Pode parecer muito ambicioso, mas é uma proposta até tímida quando se compara ao que vem sendo feito, por exemplo, na Alemanha onde a capacidade instalada alcançou, ao final de 2013, impressionantes 36 mil MW. Apenas em 2012 foram instalados mais de 7 mil MW de potencial de energia solar em sistemas fotovoltaicos distribuídos. Embora constituam apenas 3% da geração anual do país, a energia solar cumpre papel fundamental nos momentos de pico de demanda do verão europeu, chegando nestes momentos a gerar até 40% da demanda como mostra o gráfico abaixo.
Além dos telhados das casas, existem inúmeras possiblidades de espaço ocioso para instalação dos painéis solares como coberturas de postos de gasolinas, galpões de fábricas, armazéns, granjas (que estão viradas para a face norte!), estacionamentos (neste caso, os painéis ainda podem prover sombra para veículos), entre outros.
Com os incentivos corretos, o Brasil pode entrar de cabeça na revolução solar e transformar a ameaça em oportunidade, que nos permita economizar água, reduzir emissões das termoelétricas e trazer segurança e economia energética para o país, em especial para o usuário domestico e comercial.

Publicado em Blog do Clima / Planeta Sustentável - 12-02-2014

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Vai sobrar petróleo - parte II

Na semana passada, sugeri em minha coluna no jornal O Globo que, nas próximas décadas, a demanda vai cair e vai sobrar petróleo e que, portanto, o imenso investimento que o Brasil faz nesta fonte de energia, no momento, poderia se tornar um mico.
Recebi vários e-mails comentando o artigo com perguntas e solicitações de mais elementos para sustentar minha “previsão”. Em geral, os leitores acharam que fui otimista demais, quase fazendo uma aposta.
Não sou futurólogo, mas apenas observo as evidências de transformação em curso. O mundo está se eletrificando porque é a forma mais eficiente de gerar, transportar, distribuir e consumir energia. De 1973 a 2011, a proporção da energia elétrica na matriz energética global dobrou, passando de 9% para 18% do uso de energia no planeta. No mesmo período de 30 anos, a participação do petróleo da geração de energia elétrica caiu de 24% para 4,5% e cresceu a participação das energias renováveis, do carvão e do gás. O uso do petróleo na geração de energia elétrica está se tornando marginal.
O principal uso do petróleo é no transporte, seguido do uso industrial e, por fim, sua utilização em prédios e construções (residenciais ou comerciais). Quase 60% do petróleo produzido no mundo é consumido pelo setor de transportes. Esse setor passa por transformações importantes nos padrões de eficiência, que já começam a surtir efeito no consumo de combustível, inclusive no país do automóvel – os EUA. Lá, o consumo de combustíveis para automóveis vem caindo desde 2009. Por outro lado, esse consumo para transporte nas economias emergentes continua a crescer.
Mas a principal revolução em curso no setor de transporte são os carros elétricos. Nos últimos dois anos, os avanços na produção dos veículos elétricos se mostrou super desrruptiva, quebrando vários tabus. Os carros elétricos da última geração são melhores que os automóveis a gasolina/diesel/álcool, em praticamente todos os aspectos: segurança, desempenho , economia, conforto, espaço etc. Mesmo no quesito autonomia, os veículos elétricos já estão se aproximando dos veículos a combustão e, dentro de poucos anos, já os suplantarão. Da mesma forma que não faz sentido comprar um carro que não seja flex no Brasil (uma invenção com pouco mais de 10 anos), em 15-20 anos não fará sentido não comprar carros elétricos, que vão dominar o mercado de carros novos.
Este mesmo fenômeno vai chegar ao transporte rodoviário de carga e de passageiros. Deve demorar um pouco mais, mas é inexorável pois os custos serão significativamente menores que os meios atuais e esta será a opção óbvia para os sistemas públicos e privados de transporte.
No caso da indústria, segundo maior usuário energético do petróleo, está em curso uma enorme transformação por conta do gás de xisto, que apresenta custos extremamente competitivos. As emissões de gases de efeito estufa (GEE) nos EUA estão caindo justamente por conta da substituição de petróleo e carvão por gás. A produção de gás de xisto avança também na Europa e no Canadá e começa a ser considerada em outras partes do mundo.
Resta a indústria petroquímica, especialmente de fertilizantes, plásticos e matérias-primas para indústria química. Este é o campo onde a revolução ainda não chegou, embora dezenas de bem sucedidas experiências avancem, como os plásticos produzidos a partir de biomassa (cana de açúcar) ou as biorefinarias.
No comércio e nas residências (terceiro principal uso do petróleo como energético), o mais importante fator de transformação é a penetração da energia solar que avança de forma galopante num ritmo sequer imaginado há 10 anos. Com a contínua queda de preços dos painéis fotovoltaicos e a chegada de novas tecnologias como os vidros semitransparentes fotovoltaicos – previstos para serem lançados comercialmente em larga escala dentro nos próximos anos -, a bola de neve vai se tornar uma avalanche.
Existem vários outros sinais, mas talvez um dos mais interessantes seja a enormidade de investimentos em curso no Oriente Médio em energia solar e eólica, bem como sistemas de armazenamento e gestão da distribuição de energias renováveis. Eles já visualizaram que o futuro está no domínio destas fontes.
E, assim, volto ao ponto levantado no primeiro artigo: por razões ambientais, sociais, tecnológicas e econômicas, a demanda por petróleo será reduzida e isso tem consequências importantes para o debate das prioridades de investimento no desenvolvimento do Brasil. Investir quase 1 trilhão de dólares na indústria do petróleo, e ainda a milhares de metros de profundidade no oceano, pode sim se transformar num tremendo mico.

Publicado em Planeta Sustentável - 04/02/2014

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Entrevista Programa Capital Natural

Programa exibido em 01 de Fevereiro de 2014 pela Rede Band.


Este programa trouxe as atualizações das informações sobre a situação climática do planeta e seus desdobramentos.

O Painel Intergovernamental de Mudança Climática da ONU (IPCC) publicou no final de 2013 a primeira parte de seu Quinto Relatório e esta publicação serviu também de ponto de partida para a discussão do tema.

O convidado deste programa foi : Tasso Azevedo, especialista em florestas, clima e sustentabilidade, coordenador do Blog do Clima e Conselheiro do Planeta Sustentável.

O programa também apresentou trechos de palestras ministradas pelo físico Paulo Artaxo e pela engenheira Suzana Kahn,ambos membros do IPCC.


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Ser radical

É preciso ser radical nas ações para evitar a transformação radical do clima.
À medida que o conhecimento sobre as mudanças climáticas e seus impactos é aprofundado e as informações sobre o padrão de emissões de gases de efeito estufa (GEE) são explicitadas, aumenta a probabilidade e o risco de o aquecimento global se distanciar do limite de 2°C e se aproximar de 4°C de aumento médio da temperatura.
Este cenário representa uma mudança radical do clima global com impactos econômicos, sociais e ambientais extremos. Para evitar este cenário precisamos promover uma redução radical das emissões de GEE nas próximas décadas, começando já.
Este foi o tema central da Conferência Internacional sobre Redução Radical de Emissões (Radical Emissions Reduction Conference), realizada em meados de dezembro de 2013, na Inglaterra.
Nas palavras de Kevin Anderson, pesquisador do Tyndall Center for Climate Change Reserarch* e coordenador da conferência, “é preciso reduzir de forma radical as emissões no curto prazo para evitar mudanças radicais do clima no longo prazo”.
Nesse encontro, foram apresentados dezenas de exemplos de ações e decisões que devem ser implementadas por indivíduos, coletivos, organizações, empresas e governos que podem promover radical redução de emissões como remoção de subsídios a processos e produtos de alta emissão, acompanhada de incentivos aos mesmos produtos e serviços de baixa emissão (exemplo: premiar com incentivos os 25% mais eficientes e penalizar os 25% mais ineficientes), o investimento em retrofit de construções em larga escala, o promoção do adensamento urbano e a andabilidadedas cidades e a eletrificação da energia.
Os debates apontaram para o consenso de que os caminhos tecnológicos econômicos que nos levam a redução radical das emissões são bem entendidos e podem ser realizados. Os impedimentos para que esta rápida redução seja implementada são de ordem política e social e incluem:
(i) a relutância de aceitar a necessidade de redução radical das emissões,
(ii) os interesses e o capital aprisionado na indústria de combustíveis fósseis;
(iii) a dependência de soluções tecnológicas estabelecidas e
(iv) a ausência de foco no aumento de eficiência na demanda de energia.
Para vencer estas barreiras, cinco conceitos emergiram do debate:
(i) a importância da educação para nos tornarmos uma sociedade mais esperta e eficiente (smart society);
(ii) a necessidade de dar vazão as inovações tecnológicas, sociais e econômicas desrruptivas;
(iv) liderança pelo exemplo de empresas e governos;
(v) a mobilização da sociedade para cobrar e agir e, não menos importante,
(e) o aproveitamento dos momentos de crise para tomar ações decisivas e visionárias que superem as melhorias puramente incrementais.
Todos os vídeos das apresentações da conferência sobre redução radical das emissões de GEE estão disponíveis no site do Tyndall Centre for Climate Change Research.

Publicado em Blog do Clima em 29.01.2014

Vai sobrar petróleo

A produção de petróleo está alcançando o seu pico, mas as reservas existentes ainda são suficientes para várias décadas de oferta. As reservas de carvão mineral são ainda mais extensas e também poderiam abastecer a demanda além deste século. Mas, se a trajetória de queima de combustíveis fósseis for mantida, caminhamos para um cenário de aumento da temperatura global na casa de quatro a seis graus, uma catástrofe.

Felizmente existem vários sinais de que, muito antes de a escassez destas fontes energéticas ser um problema, sua demanda será reduzida contundentemente. As energias de fontes renováveis estão ganhando momento de forma expressiva e esta década será lembrada como aquela em que o mundo iniciou uma radical transformação das suas fontes de energia.

A Agencia Internacional de Energia Renovável publicou este mês o REmap 2030 (Renewable Energy Road Map 2030), com um mapa do caminho para se dobrar a proporção de energia renovável no planeta dos atuais 18% para 36% até 2030. Todo este incremento se vale de tecnologias já existentes em escala comercial e em projeções de aumento de eficiência energética conservadoras.

Essencialmente, as mudanças devem ocorrer nos setores de transportes, indústria, geração de eletricidade e construções/habitações, e envolvem, por um lado, o descolamento da relação direta entre crescimento econômico e demanda de energia e, de outro, a redução dos subsídios aos combustíveis fósseis e aumento do investimento e incentivos a energias renováveis.

À medida que os custos da energia solar e eólica caem, ficam evidentes as inúmeras vantagens logísticas, operacionais, econômicas e sociais destas fontes e ampliam-se os esforços para resolver os seus limitantes, como os sistemas de armazenamento e operação de geração distribuída. No cenário do REmap, o consumo de combustíveis fósseis será reduzido em 10% até 2030 e após o declínio se acentuará.

Até 2050 a energia solar estará tão difundida e distribuída a um custo tão competitivo que para a geração que nascer nessa década será difícil entender como passamos tantos anos dependentes de fontes de energia tão complicadas e trabalhosas como o petróleo e carvão.

A percepção deste cenário é fundamental para refletir sobre os investimentos na produção como estratégia de desenvolvimento atualmente em curso no Brasil. Por motivos ambientais, sociais, tecnológicos e econômicos, a demanda por petróleo será reduzida e quase 1 trilhão de dólares em investimentos nas próximas décadas podem se transformar num tremendo mico.

* Veja também Vai Sobrar Petróleo II

Publicado em O Globo em 29.01.2014

sábado, 25 de janeiro de 2014

Agenda do Clima 2014

Este é um ano de agenda cheia com Copa do Mundo seguida de Eleições Presidenciais, mas também da agenda de clima deve ser marcante. A publicação completa do 5º Relatório de Avaliação do Clima do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (AR5/IPCC) e a elaboração do primeiro rascunho do novo acordo climático global são os pontos altos de um ano que promete.
O ano iniciou com uma Cúpula de Investidores sobre Risco Climático, evento que reuniu mais de 500 investidores em Nova York no dia 15 de janeiro para discutir os riscos que as mudanças climáticas trazem para o setor de investimentos e como o setor pode contribuir para mitigar as mudanças climáticas e promover a transição para uma economia de baixo carbono. As preocupações apresentadas na reunião dão o tom de duas palavras-chaves que devem ser fortemente enfatizadas durante este ano: impacto, riscos e oportunidades.
O quadro abaixo dá uma noção do tipo de pragmatismo que começa a se disseminar na comunidade de investimento. Bancos como HSBC já contam com equipes especializadas em mudanças climáticas. Nesta semana durante o Fórum Econômico Mundial em Davos haverá nada menos do que 23 sessões ou debates dedicadas ao tema de mudanças climáticas, com foco no mesmo tripé de impactos, riscos e oportunidades.
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(Clique aqui para ampliar a imagem)
Em 14 de março, será divulgada a segunda parte do 5º Relatório de Avaliação Clima do IPCC, que trata de impactos, adaptação e vulnerabilidade. Elementos já vazados da 2ª parte do relatório em elaboração apontam para um aprofundamento do entendimento e maior precisão geográfica sobre os impactos das mudanças climáticas, a vulnerabilidade de diferentes regiões do planeta e a necessidade urgente de adaptação para o enfrentamento das mudanças em curso.
Em resumo, o relatório deve apontar que as mudanças estão acontecendo de forma mais rápida, mais intensa e mais abrangente do que previsto no relatório anterior e a os mecanismos de adaptação estão absolutamente atrasados, isso deve resultar em uma profunda mudança na percepção de risco e de custos de oportunidade de se investir na mitigação das mudanças climáticas e num radical plano de adaptação, com especial atenção aos países e regiões mais vulneráveis.
Em 11 de abril, será divulgado a 3ª parte do 5º relatório do IPCC que trata demitigação das mudanças do clima que deve apontar que a janela de possibilidade para redução emissões suficiente para limitar o aumento da temperatura média global em 2ºC está se fechando rapidamente e, se não revertemos o crescimento das emissões até o final da década, as chances do limite de 2ºC tenderão a zero.
Os relatórios do IPCC devem chacoalhar a agenda de negociações do novo acordo climático global que tem como centro do debate o Grupo de Trabalho sobre Plataforma de Durban (ADP) que se reúne março e junho para estabelecer os elementos do novo acordo e novamente em dezembro junto com a Conferência das Partes da Convenção da ONU sobre Mudanças do Clima (COP-20) em Lima no Peru onde a grande expectativa é a aprovação do primeiro rascunho do texto que servirá de base para se chegar o novo acordo climático em dezembro de 2015 naCOP21 em Paris.
Agenda do Clima 2014
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Publicado em Blog do Clima - 20/01/2014