segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O ano mais quente da história, de novo

Nesta semana ocorrem dois eventos importantes para a agenda climática.
Em Bonn, na Alemanha, acontece a última reunião – antes da COP20, em Lima, no Peru – do Grupo de Trabalho que elabora as versões preliminares das bases para onovo acordo climático global a ser aprovado em 2015. O desafio do momento é apresentar uma proposta de decisão a ser tomada na próxima COP, em dezembro, que indique o formato e o mínimo de informações que devem ser apresentadas pelos países quando submeterem suas contribuições para redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE), pós 2020, que são a base essencial do novo acordo.
Em Copenhague, na Dinamarca, o IPCC  (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, da ONU) se reúne para os últimos ajustes da 4ª é ultima parte do seu 5º Relatório de Avaliação das Mudanças Climáticas, o chamado Relatório Síntese a ser publicado na última semana de outubro.
As reuniões acontecem no momento em que as agências climáticas ao redor do mundo confirmaram o mês de setembro como o mais quente desde 1880, quando começaram a ser feitos esses registros. Não é um fato isolado. Abril, maio, junho e agosto já haviam batido recordes históricos de alta temperatura. É a primeira vez que o mês de setembro apresenta tão altas temperaturas sem a influência de um forte El Nino (que ainda não se faz presente e deve vir ainda no final do ano). No ritmo atual, 2014 terminará como o ano mais quente da história desde 1880.
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Os 10 anos mais quentes já registrados (média de temperatura global) aconteceram nos últimos 15 anos, sendo 7 nos últimos 10 anos. Não há dúvida, a temperatura média do planeta está subindo e acelerando.
São Paulo teve, neste mês de outubro, a maior temperatura registrada desde 1934 (quando se iniciou a série histórica). Todas as 10 maiores temperaturas registradas em São Paulo aconteceram nos últimos 15 anos e 7 foram nos últimos três anos (2012-2014).
Em algumas regiões do continente antártico, as temperaturas estão 10oC acima da média histórica, provocando degelos permanentes em glaciais antes considerados perenes.
A seca nas regiões sudeste, nordeste e centro oeste do Brasil ou na Califórnia e boa parte da costa oeste americana têm sido marcantes e colocam em risco a produção de alimentos, a segurança energética e a saúde das pessoas.
Abaixo, os gráficos do NOAA mostram as variações da temperatura nos meses de setembro, os dez anos mais quentes e a temperatura média global na terra e nos oceanos desde 1880:

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terça-feira, 7 de outubro de 2014

O desafio que nos dá o real sentido de humanidade

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Conferência de Estocolmo sobre Homem e Meio Ambiente, realizada em 1972, é considerada por muitos o ponto de partida de grande parte dos acordos e movimentos multilaterais sobre sustentabilidade.
Mas o conceito de desenvolvimento sustentável – como aquele que satisfaz as necessidades da geração presente sem comprometer a habilidade das gerações futuras satisfazerem as suas necessidades – foi cunhado em meados dos anos 80 no relatórioNosso Futuro Comum produzido por uma comissão internacional liderada pela então primeira Ministra da Noruega, Gro Brundtland, daí o relatório ser também conhecido porRelatório Brundtland.
Este relatório se tornou uma espécie de livro-texto ou referência histórica sobre os conceitos, princípios e diretrizes do desenvolvimento sustentável. Entre suas recomendações estavam:
- limitação do crescimento populacional;
- garantia de recursos básicos (água, alimentos, energia) em longo prazo;
- preservação da biodiversidade e dos ecossistemas, diminuição do consumo de energia e desenvolvimento de tecnologias com uso de fontes energéticas renováveis;
- aumento da produção industrial nos países não-industrializados com base em tecnologias ecologicamente adaptadas;
- controle da urbanização desordenada e
- integração entre campo e cidades menores e
- o atendimento das necessidades básicas (saúde, escola, moradia).
Foi com este pano de fundo na cabeça que, na tarde do dia 30 de Setembro, mediei debate com Gro Brundtland, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o presidente do Grupo Abril, Fabio Barbosa.
Gro veio ao Brasil para participar de conferência no programa Fronteiras do Pensamento, mas, antes e a convite de FHC, foi ao espaço da organização Comunitaspara conversar com lideranças brasileiras sobre a agenda do desenvolvimento sustentável em 2015, quando dois importantes eventos serão realizados no contexto internacional: a definição dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e o novo acordo climático global.
Gro contou um pouco de sua trajetória, mas focou sua fala na questão de mudanças climáticas, que julga ser o maior desafio enfrentado pela humanidade dada a dimensão de seus impactos. Foi enfática ao dizer que a principal ação a ser tomada para reduzir emissões é taxar as emissões. De fato, Visualizar blogquando primeira ministra da Noruega, implementou a taxa de carbono mais de duas décadas atrás. O país é o que mais baixou emissões na Europa, cumprindo com folga as metas do Protocolo de Kyoto.
Fabio Barbosa refletiu sobre os recentes estudos Nova Economia do Clima e o DDPP. Apesar dos estudos apontarem a real possibilidade de conciliar desenvolvimento com a descarbonização da economia os avanços são muito lentos, pois as condições regulatórias e politicas de incentivos são contraditórias, dando o exemplo do subsídio aos combustíveis fósseis na casa das centenas de bilhões de dólares.
O ex-presidente Fernando Henrique contou como se envolveu nos primeiros debates sobre desenvolvimento e meio ambiente em 1974, em um grupo liderado por Ignacy Sachs e a dificuldade de conciliar na diplomacia os interesses nacionais às necessidades planetárias, e fechou o debate afirmando que as mudanças climáticas são o desafio global que nos dão verdadeiro sentido de humanidade: afeta a todos e só pode ser resolvida por todos. Em uma frase deu o exato sentido de ameaça e oportunidade dasmudanças do clima.
Para mim, que nasci em 1972 e, portanto, sou da geração pós-Estocolmo, aquela que não tem desculpa da ignorância para não lutar por um desenvolvimento sustentável, participar do debate com Gro Brundtland foi como dialogar com o livro texto de minha formação. Uma tarde inesquecível.

Publicado no Blog do Clima de O Planeta Sustentável em 07.09.2014 

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Que falta faz um(a) lider

Depois de muito hesitar, a presidente Dilma resolveu participar da Cúpula do Clima convocada pelo secretário- geral do ONU para elevar o grau de ambição politica dos compromissos para o período pós-2020, que formarão o novo acordo climático a ser firmado em 2015.

Os sete minutos de fala da presidente Dilma seguiram o script burocrático e pouco inspirado com que o tema mudanças climáticas (e sustentabilidade em geral) tem sido tratado no seu governo. Ela ficou presa ao passado e não articulou uma visão de futuro que se espera de um chefe de Estado.

É óbvio que devemos nos orgulhar de termos reduzido o desmatamento da Amazônia em 70% na última década, mas é preciso projetar ir além, sabendo que ainda somos o país que mais desmata em todo o mundo. A cúpula era o momento para afirmar novos compromissos substantivos do país, como o fim da perda de cobertura florestal e/ou a retomada da participação das energias renováveis na matriz energética.

Mas nossa agenda interna não permite. O desmatamento parou de cair e nos dois últimos anos voltou a crescer na Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado. A participação das fontes renováveis na matriz energética caiu de 45% para 41% nos últimos cinco anos e o governo hipoteca o futuro do país aos investimentos em petróleo.

Embora tenha citado a Marcha do Clima que reuniu centenas de milhares de pessoas em todo o mundo no ultimo domingo, a presidente não conseguiu se sintonizar com a demanda das ruas por compromissos claros e substantivos para o período pós- 2020.

A diferença que faz uma liderança é gritante. Em 2009, quando o mundo se preparava para a Conferência de Clima em Copenhagen, o presidente Lula assumiu compromisso de reduzir o desmatamento na Amazônia em 80% até 2020, e as metas para redução de emissões totais do Brasil em 36% em relação à tendência histórica até 2020. Nas semanas seguintes ao anúncio brasileiro, países- chave como China, Índia, Indonésia e México anunciaram também metas de redução de
emissões.

Durante a Conferencia de Copenhagen, o presidente emocionou o mundo ao pedir a palavra para fazer uma apelo para que China e Estados Unidos destravassem as negociações, inclusive oferecendo colocar recursos no Fundo Global para o Clima ( proposta de Marina Silva que havia sido menos prezada por Dilma, então ministra da Casa Civil e pré-candidata a presidente).

Para além da competência da diplomacia brasileira e de um ministro de Relações Exteriores que conhece com profundidade o tema, o Brasil precisa recuperar o protagonismo na agenda climática com a liderança da Presidência da Republica.


Publicado em O Globo 24/09/2014

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

A mudança climática chegou às ruas

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Domingo, dia 21 de setembro de 2014, entrará para a história como o dia em que o enfrentamento das mudanças climáticas transbordou dos domínios da ciência, dos especialistas e dos gabinetes dos políticos e embaixadores para as ruas.
Quase 600 mil pessoas saíram às ruas em mais de 2700 eventos, em 161 países, para demonstrar o seu apoio a agenda de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
Em Nova York, uma multidão de pelo menos 300 mil pessoas ocupou as ruas da cidade para protestar contra o subsídio aos combustíveis fósseis, o fraqueamento para produção de gás, o abandono das pequenas ilhas à sua própria sorte com aumento do nível do mar, o lobby do petróleo e do carvão, o desmatamento e principalmente cobrar – em alto e bom som – que os chefes de estado, que se reúnem em NY a partir de amanhã (23) para a Cúpula do Clima e a Assembléia Geral da ONU, assumam compromissos realmente ambiciosos para redução das emissões de gases de efeito estufa e preparação dos países para se adaptar às mudanças climáticas.
Apesar do esforço do Secretario Geral do ONU, Ban Ki-Moon, de organizar a Cúpula do Clima com o propósito de buscar maior ambição dos países nesses compromissos – antes da Conferência das Partes da Convenção de Mudanças Climáticas que ocorrerá em dezembro, no Peru (COP20) -, os sinais são de poucos anúncios relevantes durante a semana.
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Para reforçar a ação promovida por mais de 1200 organizações não governamentais dezenas de personalidades acompanharam a manifestação. Em NY, durante a marcha, Ban Ki-moon circulou acompanhado pelo prefeito da cidade, Bill de Blasio, pelo ex-vice Presidente americano e Nobel da Paz, Al Gore, e pela primatóloga Jane Goodall (foto acima).
A marcha acontece em meio ao anúncio dos pesquisadores do Global Carbon Project*que as emissões de gases de efeito estufa continuam subindo e em 2013 bateram o recorde histórico. Apenas o setor de energia e cimento emitiu 36 bilhões de toneladas de CO2. Desde 1990, o crescimento ultrapassa os 60%. No ritmo atual das emissões, oaquecimento global chegaria a 3,2 a 5,4ºC até o final do século, portanto muito acima dos 2ºC proposta pelo IPCC como limite ainda seguro de aumento da temperatura média global.
O crescimento do consumo de carvão respondeu por 59% do aumento das emissões globais, seguido do petróleo e do gás com outros 28%. Os subsídios à produção e ao consumo de combustíveis fósseis ultrapassam os US$ 500 bilhões de dólares ao ano, segundo o PNUD. Este quadro precisa ser revertido e a decisão dos países sobre a contribuição que podem dar ao novo acordo climático global a ser aprovado em 2015 é fundamental.
Que a marcha sirva de inspiração para os chefes de estado presentes em NY esta semana, para que tomem posições mais ambiciosas. O povo está saindo às ruas e a pressão deve continuar.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Marcha das Pessoas e a Cúpula de Clima

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Na próxima semana, acontecerá em Nova York a Cúpula do Clima, convocada pelo Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, com o objetivo de estimular o anúncio de ambiciosos compromissos dos países com a mitigação e adaptação as mudanças climáticas, que sirvam de alicerce para o novo acordo global de clima em gestação, que deve ser aprovado em dezembro de 2015, em Paris.
Na lista de mais de cem chefes de estado e de governo que confirmaram a participação na Cúpula – que acontece um dia antes da abertura da Assembleia Geral da ONU -, algumas ausências são sentidas como as dos Primeiros Ministros da China, Índia e Canadá e o Presidente Russo Vladimir Putin. A Presidente Dilma já foi confirmada pelo Secretariado da ONU, embora ainda não apareça em sua agenda. Sobre a mensagem e os compromissos que levará a Cúpula, ainda há mistério.
No dia 21 próximo, domingo que antecede a Cúpula, está programada uma enormeMarcha pelo Clima, inspirada na Marcha pela Paz e pelo desarmamento nuclear que reuniu mais de um milhão de pessoas no Central Park, em junho de 1982. Desta vez, além da marcha em NY, outras dezenas de marchas deverão ser realizadas em vários pontos do mundo, inclusive no Rio de Janeiro, como já noticiado no site do Planeta Sustentável.
A mensagem das mais de mil ONGs que organizam as marchas é simples: os lideres globais têm que assumir compromissos ambiciosos e corajosos para reduzir drasticamente as emissões globais de gases de efeito estufa e promover uma economia descarbonizada e inclusiva.
A uma semana dos eventos o que se vislumbra de compromissos inclui:
  • O anúncio de criação da Aliança pela Agricultura Inteligente (Aliance for Smart Agriculture), destinada a promover a agricultura de baixo carbono e que deve reunir cerca de 20 países e 20 grandes empresas e instituições internacionais como FAO;
  • Declaração sobre florestas que deve estimular mais acordos bilaterais e multilaterais para promover a redução de emissões por desmatamento e degradação florestal (REDD). Duas parcerias bilaterais – nos moldes do Fundo Amazônia - entre países tropicais e a Noruega devem ser firmadas durante a Cúpula (talvez as ações mais concretas e ambiciosas desse encontro);
  • Acordo para promover o desmatamento zero no Brasil está sendo costurado com o envolvimento de ONGs e grandes empresas consumidoras de produtos agrícolas e florestais, mas ainda é incerto se será assinado durante a Cúpula;
  • Uma série de países e entidades empresariais deve reforçar a ideia de que é preciso cobrar pelas emissões de carbono, eliminar subsídio de combustíveis fósseis e usar os recursos para promover a economia de baixo carbono.
É pouco. Os sinais dados pelos lideres globais não são muito animadores. Não se vislumbra nenhum grande compromisso com a redução de emissões ou aporte de recursos para adaptação sendo anunciados da Cúpula.
Resta torcer para que os líderes estejam guardando as boas notícias para anuncia-las, de surpresa, na Cúpula ou mesmo em resposta à Marcha pelo Clima que antecede a reunião. Mas isso está mais para desejo esperançoso do que possibilidade real.

Publicado em Planeta Sustentável em 15.09.2014

sábado, 13 de setembro de 2014

Ponto de Ruptura

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À medida que se aproxima a Cúpula do Clima – convocada pelo secretário geral da ONU, Bank Ki-moon,para o dia 23 de setembro, em Nova York – uma série de iniciativas paralelas vão tomando corpo. Uma das mais significativas é a Marcha pelo Clima (People´s Climate March) que pretende ser a maior demonstração pública já realizada sobre mudanças climáticas.
Organizada de forma coordenada por mais de mil organizações de todo o mundo e tendo como epicentro o movimento 350.org*, o encontro é inspirado na marcha antinuclear que reuniu mais de 1 milhão de pessoas no Central Park, em Nova York, além de outras milhares em vários pontos do mundo em 12 de junho de 1982.
Entre as diversas ações para preparar esta marcha foi produzido excelente documentário – Disruptiondisponível gratuitamente na internet - sobre a ameaça das mudanças climáticas e a necessidade de mobilização para ação imediata.
A primeira metade do filme apresenta excelente revisão da ciência do clima de forma simples e objetiva e o que precisa ser feito para limitar o aquecimento global e suas consequências climáticas.
Disruption foi produzido e dirigido por Kelly Nyks e Jared P. Scott (produtores de Split – a divided America (2008), documentário sobre a divisão americana entre democratas e republicanos), que, no site, estimulam os interessados a promoverem sessões públicas do filme.

Publicado em Planeta Sustentável em 09.09.2014

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Meio bilhão

Segundo o IPCC — painel de cientistas da ONU para mudanças climáticas —, é necessário limitar as emissões globais de gases de efeito estufa em mil bilhões de toneladas de CO2 equivalente (CO2e) entre 2012 e 2100, para que possamos deter o aquecimento global em até dois graus até o fim do século.

Para se ter uma ideia do que isso representa, desde meados do século 19 até hoje foram emitidas cerca de 2.600 gigatoneladas de CO2 equivalente e deste total as últimas mil gigatoneladas foram emitidas entre 1990 e 2012. Se considerar o ritmo atual de emissão global anual, na casa de 52 gigatoneladas de CO2e, o limite proposto pelo IPCC seria esgotado em menos de 20 anos.

Os diversos cenários considerados pelo IPCC para alcançar o objetivo de dois graus indicam que as emissões devem ser reduzidas a menos de 20 gigatoneladas de CO2e em 2050. Considerando uma população atual de 7,2 bilhões de pessoas e, em 2050, em pouco mais de nove bilhões, a emissão per capita média global deveria cair das atuais sete toneladas de CO2e para cerca de duas toneladas de CO2e em 2050.

Segundo os dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima (SEEG/OC), o Brasil emitiu no acumulado de 1990 a 2012 um total de 46 gigatoneladas de CO2e, ou cerca de 4,5% das emissões globais no período. Em termos per capita, as emissões brasileiras chegaram a alcançar mais de 17 toneladas de CO2e na década de 90 e apenas a partir de 2005, com a expressiva queda do desmatamento, começou a regredir até que em 2012 convergiu para média global de sete toneladas de CO2e por habitante por ano.

No novo acordo global de clima em negociação até o fim de 2015, é esperado que todos os países assumam metas e compromissos para contribuir com a redução de emissões de forma a limitar o aquecimento global a dois graus.

Considerando o Brasil um país industrializado e de renda média, é razoável pensar que deveríamos chegar em 2050 com a emissão per capita pelo menos alinhada com a média global. O IBGE estima a população brasileira em 230 milhões de habitantes em 2050. Portanto, o compromisso brasileiro deveria ser orientado a limitar suas emissões a cerca de 500 milhões de toneladas de CO2e, ou cerca de um terço da 1,5 gigatonelada de CO2e emitida em 2012.

Com esta visão de longo prazo, é essencial orientar politicas de inovação e promoção do desenvolvimento do país que contemplem como diretrizes: zerar a perda de cobertura florestal, neutralizar as emissões do setor agrícola, reverter a tendência de queda na participação de fontes renováveis de energia na matriz energética, universalizar o tratamento biológico de resíduos sólidos e esgoto no Brasil com aproveitamento do biogás e dos materiais recicláveis e implantar iniciativas de captura e armazenamento biológico de carbono.


Publicado em O Globo em 29.08.2014