Publicado em O GLOBO - 30.12.2015
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
Começou a Mudança
Publicado em O GLOBO - 30.12.2015
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
O Acordo de Paris passou pelo WhatsApp
Imediatamente todos em nosso entorno começam a operar seus celulares e mobilizam seus grupos no WhatApp e em menos de dois minutos estava formado o consenso, os EUA haviam encontrado um problema com o uso da expressão "shall" no lugar de "should" numa determinada passagem do texto e pedia a correção mas a Nicaragua não concordava com a correção. Mais alguns minutos e o texto onde havia o problema é circulado pelo aplicativo entre as diferentes delegações e para representantes de ONGs e empresas para medir a temperatura. Em pouco mais de cinco minutos de consultas o Presidente da COP entra no Plenário e da inicio a sessão e o Acordo de Paris é aprovado por aclamação.
Este episódio da bem a dimensão da importância que as mídias sociais tomaram em nossa sociedade com destaque mais recente para o whatsApp. Se na COP15 em Copenhagen víamos surgir o Twitter como ferramenta que permitia o publico em geral se informar sobre o que acontecia nas negociações na COP21 vimos um aplicativo permitir que milhares de pessoas participassem ativamente da construção do novo acordo interagindo com negociadores, especialistas, imprensa e os diferentes grupos de interesse.
Aplicativos como o WhatsApp vão muito além da mera troca despretensiosa de mensagens e fotos entre amigos, eles são instrumentos importantes de trabalho e interação para milhões de pessoas. Por isso é tão difícil de entender como uma decisão monocrática de um juiz pode penalizar milhões de pessoas que usam o aplicativo por conta do interesse de uma parte em um processo. Se pretende penalizar a empresa que mantém o aplicativo que o faça com multa ou outra medida de impacto específico na empresa, e não em toda massa de usuários. Se esta medida tivesse sido tomada na semana passada teria colocado em risco o acordo em Paris dada a importância que os brasileiros tiveram na formatação do acordo.
Mas que algumas horas sem o pin do aplicativo é bom... ah.. isso é :)
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
Momento decisivo na agenda de cooperação global
Há momentos críticos na história que apenas o esforço concentrado de toda comunidade global torna possível suplantar os desafios. No enfrentamento da gripe espanhola ou da peste negra, no controle de armas nucleares ou na reconstrução pós 2.a Guerra Mundial, foi preciso que do caos surgisse um esforço concentrado para tornar consenso um objetivo comum e superar o momento.
O que vimos em Paris ontem foi o mo- mento decisivo de construção de uma nova era na cooperação global. A partir dos compromissos voluntários de mais de 180 países em reduzir as emissões de gases de efeito estufa, alinhou-se um acordo para garantir que o aumento da temperatura global seja refreado abaixo de 2°C e se possível abaixo de 1,5°C.
Reconhecendo que os compromissos apresentados são amplamente insufi- cientes para garantir esse limite, os países se comprometeram a revisar a cada 5 anos os compromissos para torná-los mais ambiciosos. Todos tiveram de superar o interesse nacional para se unir num objetivo global. Esse era mais que objetivo no texto, era sentido em cada canto da sala, na voz embargada da tradutora, nos olhos marejados dos seguranças, na mão trêmula do presidente da Conferência.
Único também o alinhamento de governos, representantes do setor priva- do, da sociedade civil e de comunidades indígenas para apontar um novo caminhos para o desenvolvimento. A mensagem se unificou: o risco é de todos, o esforço deve ser de todos, os benefícios serão para todos.
Passamos os últimos anos tentando tirar leite de pedra com acordos incompletos, limitados e desalinhados, como o Protocolo de Kyoto. Agora temos na mesa quase uma vaca leiteira, e das boas. Mas é bom lembrar que o queijo não será produzido se não trabalharmos para isso.
Amanhã vamos começar a trabalhar para colocar o acordo em três dimensões. Agora é momento de celebrar.
Publicado em O Estado de São Paulo em 13.12.2015
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
‘CEASA’ do futuro
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
Despreparados para o desastre
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
Quando o futuro é presente
quarta-feira, 21 de outubro de 2015
Um Grid Global
Em qualquer momento do dia, bate Sol na metade do planeta. Um terço de terra firme é formada por desertos, quase sempre em áreas de alta insolação. Com uma pequena fração desse território – não mais de 0,5% - dá para gerar, de forma contínua, eletricidade suficiente para atender toda a demanda atual e a projetada para o planeta em2050, considerando inclusive a eletrificação de quase todo sistema de transporte e a produção industrial. O problema fundamental para tornar viável esse potencial, é suprir a intermitência diária da energia solar na ausência do Sol. Para tanto, é preciso uma combinação deduas revoluções: no armazenamento e na transmissão de energia a longas distâncias. Quando ainda é noite na América já é dia na África e Ásia e vice-versa. Uma região do planeta poderia gerar a energia necessária em outras regiões e a transmitir entre os continentes da mesma forma como fazemos hoje com voz e dados por meio dos cabos submarinos. O problema é que sistemas de transmissão de energia tendem a perder muito em eficiência à medida que transportam mais energia entre maiores distâncias, devido ao aquecimento e consequente aumento da resistência. As perdas alcançam cerca de 3,5% a cada mil quilômetros. A mais longa e uma das mais eficientes linhas de alta tensão no mundo é a que liga as usinas do Rio Madeira ao Sudeste do Brasil, com 2,4 mil quilômetros por onde transitam 3,1 GW de energia por hora. Uma perda de 5% no trajeto representa 200 MW - oque dá para abastecer uma cidade de 1,5 milhão de habitantes. O desafio da transmissão intercontinental envolve cem vezes mais energia e o triplo da distância. A solução para isso está nos sistemas de transmissão com base em cabos de supercondutividade que, por operarem em baixas temperaturas, conseguem transmitir muito mais energia por polegada e com perdas menores de 1% a cada cinco mil quilômetros. O primeiro cabo operacional desse gênero foi instalado em 2014 na cidade de Essen, na Alemanha, ligando uma geradora ao centro de distribuição da cidade. Os cabos supercondutores possuem um engenhoso mecanismo de esfriamento com nitrogênio líquido que circula por dentro deles, como em um sistema de artérias e veias. O interior do cabo por onde transita a energia fica a menos de 200 o C, fato que reduz as perdas em mais de 90%, mesmo considerando a energia gasta para manter o nitrogênio líquido. Os cabos supercondutores representarão para a energia o que a fibra ótica representou para a transmissão de dados. Os primeiros cabos submarinos de fibra ótica foram instalados em 1988, ligando os Estados Unidos à Inglaterra. Em menos de três décadas, todos os continentes já estão interligados por mais de 280 cabos submarinos com quase um milhão de quilômetros de extensão. Assim, antes de 2050, o planeta terá um grid global interconectando todos os continentes e a eletricidade fluirá pela rede da mesma forma como hoje acontece com dados e voz. O sistema de armazenamento (tema para ser analisado mais detidamente em futuras colunas) ajudará a dar fluidez à energia em rede. Assim como acontece com dados, poderemos armazená-la em formas fixas ou móveis (exemplo: kits de baterias, em casa ou no carro), de maior ou menor capacidade, e em periféricos ou em nuvem. O Grid Global trará consigo oportunidades de geração de energia onde ela for mais limpa e barata, ao mesmo tempo que possibilitará a rápida expansão das fontes renováveis e uma espécie de phase out (uma eliminação progressiva) da produção e do consumo de combustíveis fósseis.
Figura:Diagrama de autoria de S. Chatzivasileiadis / ETH Zurich
Artigo Publicado na coluna Bússola da revista Época Negócios, Nov 2015
