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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Uma síntese para incomodar

IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU) publicou, no último domingo, a quarta e última parte do seu 5o Relatório de Avaliação sobre Mudanças Climáticas (AR5 – Fifth Assessment Report ), o chamado Relatório Síntese reúne e alinha as informações das três partes do relatório já lançadas:
Ciência do Clima (set, 2013),
Impactos, Adaptação e Vulnerabilidades (março, 2014) e
Mitigação das Mudanças Climáticas (abril, 2014)
e produz uma nova leitura integrada do estado da arte do entendimento sobre as mudanças climáticas.
O resultado incomoda pela contundência ao relatar as mudanças do clima já em curso e os impactos sobre as pessoas e a vida em todo planeta e a necessidade de esforço para limitar emissões de gases de efeito estufa (GEE) muito mais drástica do que a apontada em qualquer outro relatório anterior.
Este incômodo precisa servir de inspiração para acelerar a implementação de ações de adaptação e mitigação já e aumentar o nível de ambição ao limite para dar forma aonovo acordo climático global a ser fechado na Conferência de Paris – COP21, em 2015.
O resumo para tomadores de decisão em políticas públicas (Summary for Police Makers) do Relatório Síntese merece ser lido por todos os envolvidos com o desenvolvimento de estratégias em empresas, organizações não-governamentais e governo.
A seguir os principais pontos do Relatório Síntese do 5º Relatório do IPCC:

1. MUDANÇAS OBSERVADAS E SUAS CAUSAS

influência humana sobre o sistema climático é clara, e o registro de emissões antrópicas de gases de efeito estufa recentes é o maior da história. As recentes mudanças climáticas tiveram impactos generalizados sobre os sistemas humanos e naturais.
aquecimento do sistema climático é inequívoco e, desde os anos 1950, muitas das mudanças observadas não têm precedentes ao longo de décadas a milênios. A atmosfera e o oceano têm aquecido, as quantidades de neve e gelo têm diminuído e o nível do mar subiu.grafico1
Cada uma das três últimas décadas tem sido sucessivamente mais quentes na superfície da Terra do que qualquer década anterior desde 1850. O período de 1983 a 2012 foi provavelmente o mais quente no período de 30 anos dos últimos 1.400 anos no Hemisfério Norte. Essa avaliação só é possível nesse hemisfério pela disponibilidade de dados históricos. Os dados de temperatura médias globais – combinadas superfícies terrestres e oceânicas -, calculadas por uma tendência linear, mostram aquecimento de 0,85 oC durante o período de 1880-2012.
Da energia retida pelo aumento da concentração de GEE na atmosfera, 90% está acumulando nos oceanos. Mais de 1/3 do carbono que emitimos está sendo absorvido pelo oceano, causando sua acidificação (26% em relação à era pré-industrial).
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As emissões antropogênicas de gases de efeito de estufa aumentaram desde a era pré-industrial, impulsionado em grande parte pelo crescimento econômico e populacional e, agora, estão maiores do que nunca. Isto levou as concentrações atmosféricas de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, que são sem precedentes, pelo menos, nos últimos 800 mil anos. Seus efeitos, juntamente com os dos outros fatores antrópicos, foram detectados em todo o sistema climático e são a causa dominante do aquecimento observado desde meados do século 20.
Metade das emissões entre 1750 e 2011 aconteceu nos últimos 40 anos. As emissões acelerarão entre 2000-2010 (2,2% a.a.) em relação ao período 1970-2000 (1,3% a.a.).
Nas últimas décadas, as mudanças climáticas têm causado impactos nos sistemas naturais e humanos em todos os continentes e através dos oceanos. Impactos são devido às alterações climáticas observadas, independentemente de sua causa, o que indica a sensibilidade dos sistemas naturais e humanos para a mudança climática.
Mudanças na frequência, intensidade e duração de eventos meteorológicos e climáticos extremos têm sido observadas desde 1950, incluindo extremos de calor e frio, eventos de seca e de excesso de chuva.

2. MUDANÇAS CLIMÁTICAS, RISCOS E IMPACTOS

contínua emissão de gases de efeito estufa causará mais aquecimento e mudanças de longa duração em todos os componentes do sistema climático, aumentando a probabilidade de impactos severos, invasivos e irreversíveis para as pessoas e os ecossistemas. Limitação das alterações climáticas exigiria reduções substanciais e sustentadas nas emissões de gases de efeito estufa, que, juntamente com a adaptação, pode limitar os riscos das mudanças climáticas.
Em grande parte, emissões acumuladas de CO2 determinam aquecimento médio da superfície global no final do século 21 e além. E há projeções que indicam que as emissões de gases de efeito estufa podem variar em uma ampla faixa, dependendo tanto da política de desenvolvimento e do clima socioeconômico.
A temperatura da superfície deverá aumentar ao longo do século 21 em todos os cenários de emissões avaliadas. É muito provável que as ondas de calor ocorram com mais frequência e durem mais tempo, e que os eventos extremos de precipitação vão se tornar mais intensas e frequentes em muitas regiões. O mar vai continuar a aquecer e a acidificar e seu nível global a subir.
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A mudança climática vai amplificar os riscos existentes e criar novos riscos para os sistemas naturais e humanos. Os riscos são distribuídos de forma desigual e são, geralmente, maiores para as pessoas desfavorecidas e as comunidades em países de todos os níveis de desenvolvimento.
Muitos aspectos das mudanças climáticas e impactos associados continuarão a agir por séculos, mesmo se as emissões antrópicas de gases de efeito cessarem por completo. Os riscos de mudanças abruptas ou irreversíveis aumentam à medida que se amplia o aquecimento.

3. CAMINHOS PARA ADAPTAÇÃO, MITIGAÇÃO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Adaptação e mitigação são estratégias complementares para reduzir e gerir os riscos da mudança climática. Reduções substanciais de emissões ao longo das próximas décadas podem reduzir os riscos climáticos no século 21, aumentar as perspectivas de adaptação eficaz e reduzir custos e desafios de mitigação em longo prazo.
A tomada de decisão eficaz para limitar as alterações climáticas e seus efeitos pode ser informada por uma ampla gama de abordagens analíticas para avaliar riscos e benefícios esperados, reconhecendo a importância da governança, as dimensões éticas, equidade, juízos de valor, avaliações econômicas e diversas percepções e respostas ao risco e à incerteza.
Sem os esforços de mitigação adicionais além daquelas em vigor hoje – e mesmo com a adaptação -, o aquecimento até o final do século 21 vai levar à multiplicação dos riscos de impactos graves, generalizados e irreversíveis em todo o mundo. A mitigação envolve cobenefícios e risco de possíveis efeitos colaterais adversos, mas estes riscos não se comparam aos impactos graves, generalizados e irreversíveis como riscos da mudança climática, aumentando os benefícios dos esforços de mitigação de curto prazo.
Clique no gráfico abaixo para ver os detalhes:
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A adaptação pode reduzir os riscos de impactos das mudanças climáticas, mas há limites para sua eficácia, especialmente em casos de maiores magnitudes da mudança climática. Por isso, quanto antes for implantada, aumentará as futuras opções de adaptação e preparação.
Ainda existem caminhos possíveis para limitar o aquecimento em níveis abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais. Para trilhá-los, é preciso reduzir substancialmente as emissões de GEE até meados do século e quase nulas até o final do século. A implementação de tais reduções nos coloca diante de desafios tecnológicos, econômicos, sociais e institucionais substanciais, que aumentam com atrasos na implementação das ações e do desenvolvimento das principais tecnologias ainda não disponíveis em escala comercial.

4. ADAPTAÇÃO E MITIGAÇÃO

Nenhuma ação de mitigação e adaptação é suficiente por si só. Sua implementação efetiva depende de políticas e de cooperação em todas as escalas, e pode ser reforçada através de respostas integradas que apontam adaptação e mitigação com outros objetivos sociais.
As opções de adaptação existem em todos os setores, mas seu contexto de aplicação e de potencial para reduzir os riscos relacionados com o clima é diferente em todos os segmentos e regiões. Algumas respostas de adaptação envolvem cobenefícios significativos, sinergias e trade-offs. Aumentar a mudança climática aumentará os desafios para muitas opções de adaptação.
A mitigação pode ser mais eficaz se for utilizada em uma abordagem integrada que combina medidas para reduzir o consumo de energiaaumentar a eficiência energéticadescarbonizar o fornecimento de energia, reduzir emissões líquidas eaumentar sumidouros de carbono nos setores agropecuário e florestal.
Respostas de adaptação e mitigação eficazes dependerão de políticas e medidas em várias escalas: internacionais, regionais, nacionais e subnacionais. Políticas em todas as escalas de apoio ao desenvolvimento de tecnologia, difusão e transferência, bem como financiamento para respostas às mudanças climáticas, pode complementar e melhorar a eficácia das políticas que promovem diretamente a adaptação e a mitigação.
As mudanças climáticas são uma ameaça ao desenvolvimento sustentável. No entanto, há muitas oportunidades de vincular mitigação, adaptação e à busca de outros objetivos sociais através de respostas integradas.
Clique na tabela abaixo para ver os detalhes:
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sexta-feira, 25 de julho de 2014

Tempos extremos

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Os eventos climáticos extremos estão aumentando em frequência, abrangência e intensidade em todos os continentes. Secasenchentes, tempestadesfuracões,ciclones tropicaiscalor extremo e inundações crescem em todo o mundo, década a década desde 1970 quando começaram a ser sistematicamente monitorados pela Organização Mundial de Meteorologia (WMO) que lançou recentemente o Atlas Global de Mortalidade e Perdas Econômicas por Extremos Climáticos.
O Atlas apresenta a evolução das ocorrências de perdas humanas e econômicas por advento dos desastres naturais climáticos durante 42 anos, entre 1970 e 2012. Foram 8.835 eventos extremos reportados (não entram terremotos e tremores por não serem eventos climáticos) que resultaram em 1,94 milhões de pessoas mortas e US$ 2,4 trilhões de dólares em prejuízo econômico. As tempestades e inundações representaram 79% dos eventos, 54% das mortes e 84% das perdas econômicas. Mas, em eventos únicos, as secas severas na África nos anos 1975, 1983 e 1984 foram os mais devastadores em termos de vidas humanas.
Os 10 maiores desastres em termos de perdas de vidas aconteceram em países em desenvolvimento e as maiores perdas econômicas nos Estados Unidos e na China. Clique no mapa abaixo para ver os detalhes:

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Clique aqui para ler o relatório original.
Entre 1970 e 2012, o numero de ocorrências de desastres naturais climáticos aumentou mais de quatro vezes. Se na década de 70 se reportou um desastre a cada 5 dias, em média, em 2012 foi registrado um desastre/dia. Os impactos econômicos também cresceram fortemente. Em valores atualizados, as perdas subiram de US$ 16 para 86 bilhões, entre as décadas de 70 e os anos 2000. Veja tabela abaixo:
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Na África predominam as secas, na Ásia as tempestades e inundações, no Sudeste Asiático e Oceania os ciclones tropicais, no Europa os extremos de temperatura, incêndios e inundações, na América do Norte, Central e Caribe as tempestades e furações e na América do Sul as inundações, deslizamentos de terra e extremos de temperatura. Este padrão aponta muita similaridade com os mapas de cenários de impactos previstos pelo aquecimento global, reportados nos 4º. e 5º relatórios do IPCC.
As mudanças climáticas estão se materializando muito mais rápido do que se imagina e já batem a nossa porta com um aumento de 1C na temperatura média global. É tempo de trabalhar arduamente para evitar um acréscimo maior de 2ºC e, assim, reduzir o risco de rupturas ainda mais dramáticas.

Publicado em Planeta Sustentável - 24/07/2014

terça-feira, 15 de abril de 2014

Ainda dá tempo

Na última sexta-feira, foi lançada a terceira parte do 5º Relatório do IPCC sobre Mudanças Climáticas (AR5). O relatório é resultado do Grupo de Trabalho III do IPCC que trata da mitigação das mudanças climáticas.
A primeira parte do relatório tratou da ciência do clima e definiu os limites de emissão de gases de efeito estufa até 2100 para que tenhamos chances reais de limitar o aumento de temperatura em 2ºC (leia O que diz o primeiro relatório e O sol e o oceano no balanço energético da Terra). A segunda parte do relatório lançada em março apontou os impactos, a vulnerabilidade e as demandas de adaptação para as mudanças climáticas em curso ou potenciais (leia Entenda a segunda parte e Todas as pessoas serão atingidas). O relatório do terceiro grupo busca descrever a trajetória de emissões de gases de efeito estufa e avaliar as possibilidade de reduzir emissões, aumentar a captura de GHG e evitar os piores cenários de mudanças do clima (leia O trem da mitigação está partindo).
A mensagem central do Grupo de Trabalho 3 (GT3) é: ainda dá tempo de reverter o crescimento das emissões de GEE e colocar o mundo em uma trajetória que permita limitar o aumento de temperatura em 2ºC. Existe tecnologia e conhecimento para fazer a mudança, mas é preciso decisão política para colocar em marcha o plano de mudanças.
A TRAJETÓRIA DAS EMISSÕES GLOBAIS DE GHG
A emissão de gases de efeito estufa vem crescendo continuamente desde os anos 70 quando começam as estimativas do IPCC. Eram 27 GtCO2e (carbono equivalente) e desde então quase dobraram chegando a 49 GtCO2e em 2010 (estimativas do programa EDGAR indicam que as emissões chegaram as 51 GtCO2e em 2012). As emissões cresceram a um ritmo de 1,3% ao ano entre 1970 e 2000 e na ultima década aceleraram crescendo 2,2% ao ano em especial pelo crescimento das emissões naseconomias emergentes.
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As emissões de CO2 a partir da queima de combustíveis fósseis continua sendo a principal fonte de emissões e sua participação cresceu de 55 para 65% do total de emissões entre 1970 e 2010. Apenas as emissões referentes à mudança de uso da terra (incluindo desmatamento) reduziram em números absolutos entre 1970 e 2010, ainda que sejam os números com maior grau de incerteza (até ±50%). O setor – que em meados dos anos 90 chegou a responder por quase 20% das emissões globais – em 2010 respondeu por 10% das emissões. A redução do desmatamento na Amazônia e a ampliação de reflorestamentos na Ásia (ex. China) têm contribuído de forma importante para este resultado.
O IPCC estima que cerca de 40% das emissões acumuladas entre 1750 e 2010 (260 anos) aconteceu entre 1970 e 2010 – entre 2000 e 2010 as emissões aumentaram 10 GtCO2e (20% de aumento), com este aumento vindo dos setores de geração de energia (47%), industrias (30%), transportes (11%) e construção (3%).
A trajetória histórica de emissões ainda esta fortemente atrelada ao crescimento do PIB e da população do ponto de vista global. Porém, ao decompor os dados por região, tipologia de países e regiões, começam a aparecer descolamentos como o caso do Brasil e da Costa Rica e, mais recentemente, parte dos países europeus.
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O relatório alerta que, sem esforços adicionais e consistentes para reduzir as emissões estas cresceram movidas pelo PIB e população e levam a cenários de aumento de temperatura média do planeta entre 3,7 e 4,9ºC, o que, de acordo com o 2º. relatório traria impactos gigantescos para humanidade e os recursos naturais.
CENÁRIOS DE MITIGAÇÃO DE EMISSÕES
Os pesquisadores do IPCC fizeram a mais extensa revisão sobre mitigação, analisando mais de 900 cenários publicados contemplando concentrações de GEE de 430 a 720 ppm CO2e em 2100. Os cenários que resultam em concentração, entre 430 a 480 ppm, são os únicos que apresentam probabilidade maior de 50% de limitar o aumento de temperatura em 2ºC, a meta acordada pelos países nos Acordo de Copenhague e Cancun (2009/2010).
No gráfico abaixo, produzido pelo IPCC é possível perceber para limitar a concentração entre 430 e 480 ppm (parte azul claro) as emissões devem ser reduzidas a cerca de 10-15 GtCO2e em 2050 (70-80% de redução em relação as emissões atuais) e serem negativas a partir de 2090 (emissões menores que aumento de estoques). Se somos sérios em relação ao compromisso com os 2ºC, as reduções de emissões precisam ser muito fortes e expressivas e o pico de emissões deve acontecer até 2020.
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Muitos cenários compatíveis com 450 ppm consideram que possa haver um aumento da concentração até 500 ppm antes de haver uma redução até 450 no final do século. Nestes casos os cenários assumem que na segunda metade do século as atividades de captura e armazenamento de carbono suplantarão as emissões.
O IPCC enfatiza que os compromissos de redução de emissões assumidos pelos países no âmbito da convenção de mudanças climáticas (em especial o Acordo de Cancun) são inconsistentes com uma trajetória que limite o crescimento da temperatura em 2ºC, as reduções precisarão ser ampliadas substancialmente pós 2020.
Nos cenários de mitigação deste 5º relatório do IPCC foram consideradas, pela primeira vez, além de novas tecnologias e inovação, as mudanças de padrões de consumo como uma das variáveis que impactam as emissões.
Uma das conclusões importantes é que os cenários mais promissores para redução de emissões apresentam forte sinergia com os objetivos de aumento da qualidade do ar, garantia da segurança energética e alimentar e o aumento da resiliência dos ecossistemas. Por exemplo, a redução de uso de térmicas a carvão mineral reduz-se também a emissão de poluentes locais.
Os cenários de mitigação compatíveis com limite de 2ºC também mostram efeitos colaterais importantes para economias excessivamente dependentes de combustíveis fósseis. A receita derivada do comércio de petróleo deve cair de forma expressiva até 2050. A disponibilidade e viabilidade de das técnicas de CCS (captura e armazenamento de carbono) poderão reduzir este efeito.
O relatório explora os diferentes caminhos de mitigação para os diferentes setores da economia. Vamos explorar esses caminhos nos próximos posts do Blog do Clima.

terça-feira, 25 de março de 2014

Um resumo de impacto

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IPCC – Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas, da ONU, O IPCC – Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas, da ONU, se reúne esta semana no Japão para finalizar as mensagens centrais da segunda parte do  Relatório de Avaliação sobre Mudanças Climáticas que trata dos impactos, vulnerabilidade e adaptação às mudanças climáticas.
Os relatórios do IPCC são apresentados em intervalos médios de 6 anos. O primeiro foi publicado em 1990 e foi seguido pelos documentos de 1995, 2001 e 2007. E, agora, o de 2014.
Os relatórios de avaliação sobre mudanças do clima (AR – assessment report) são produzidos  por centenas de cientistas que colaboram com o IPCC divididos em três grupos:
ciência do clima (GT1),
impactos, vulnerabilidade e adaptação (GT2) e
mitigação (GT3).
Cada um destes grupos produz um  amplo relatório com a revisão completa de centenas de trabalhos científicos publicados no período, envolvendo milhares de pesquisadores e autores em todo o mundo.
Além deste documento longo, com centenas de páginas, cada grupo gera um sumário para tomadores de decisão em politicas públicas (sumary for policymakers), que é uma versão super resumida (cerca de 20-30 páginas) com as principais mensagens do relatório principal. Este é documento que dá base a quase todos debates que veremos na imprensa. Ao final, também será produzido um relatório-síntese, consolidando o trabalho dos três grupos: também um documento mais curto com algumas dezenas de páginas).
Como o resumo é o que será lido por grande parte das pessoas interessadas, no mundo, é nele que se trava a maior disputa sobre a linguagem e a forma como as informações serão apresentadas. O fechamento deste resumo para o Grupo 2 é objeto fundamental do trabalho desta semana, no encontro em Yokohama.
Foi justamente o rascunho deste documento resumo que circulou circulou pela internet nas ultimas semanas e que revela que o documento do GT2 está dividido em três sessões:
(A) impactos, vulnerabilidades e exposição observadas;
(B) riscos e oportunidades para adaptação e
(C) riscos futuros e construção da resiliência.
O documento é rico em figuras e perfeito para ilustrar os impactos e os riscos com detalhamento para diferentes regiões do planeta. Esperemos, pois, a publicação do relatório na próxima sexta-feira, 28/03.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O último pedaço de bolo

Como dividir os últimos pedaços de bolo quando tem gente que já comeu várias fatias, outros que comeram só uma e ainda tem gente que nem chegou à festa? Este é mais ou menos o dilema do debate sobre limites de emissões de gases de efeito estufa (GEE) para evitar alterações climáticas graves para sociedade global.
balanço energético da Terra tende a um equilíbrio no qual a quantidade de energia que chega do sol (cerca de 340 Watts/m2) equivale à quantidade de energia que retorna ao espaço.  A interação desta energia com a superfície e o efeito de retenção de calor pelos gases de efeito estufa permitem que uma determinada quantidade de energia permaneça circulando na atmosfera e também manter a temperatura média do planeta em torno de 14-15oC. Sem esses gases, a temperatura média da terra seria de 18oC negativos (-18ºC).
É como uma caixa d´água com entrada de água na parte de cima. Se a saída de água estiver localizada no fundo, a água não será armazenada, mas se a saída da água estiver nos níveis superiores da caixa, ela encherá e será possível manter um determinado estoque.
Quando a concentração dos gases de efeito estufa aumenta na atmosfera, altera o balanço de energia que é refletido e, portanto, aumenta a quantidade de energia em circulação até que se estabeleça um novo equilíbrio. Esta perturbação do balanço de energia é chamada de forçamento radiativo (FR) e é medida em watts/m2. Quando o FR é positivo causa aquecimento da atmosfera, quando o FR é negativo causa esfriamento. Diferentes gases e materiais lançados na atmosfera têm efeito positivo (CO2, CH4 e N2O, entre outros) ou negativo (alguns aerossóis) no forçamento radiativo.
5º relatório do IPCC mostra que o aumento dos GEE na atmosfera, desde 1750, que ocorreu majoritariamente devido as emissões antrópicas – especialmente a queima de combustíveis fósseis – levou a um forçamento radiativo de 2,16 W/m2 e isso foi suficiente para levar ao aumento de +1oC  na temperatura média do planeta (+0,6 de 1880 até 2005).
Para estudar os possíveis caminhos das mudanças climáticas, o IPCC organizou estudos de quatro cenários de forçamento radiativo em 2100: 2,6 / 4,5 / 6,0 e 8,5 W/m2. Daí o nome dos cenários RCP2.6, RCP4.5 e assim por diante.  A partir destes cenários foi possível estimar os impactos no clima como aumento de temperatura, aumento do nível dos oceanos (que ao reter mais calor se expandem), derretimento de geleiras entre outros.
Conhecendo a trajetória e a relação entre a concentração de GEE na atmosfera e o forçamento radiativo, o IPCC foi capaz de estimar a quantidade máxima de emissões possíveis para que tenhamos chance de limitar o aumento da temperatura média do planeta.
Assim, o IPCC aponta que – para termos a chance de manter 66% de aumento médio da temperatura em 2oC em 2100 (2081-2100), comparado com 1880 (1861-1880), como definido nos objetivos da Acordo de Copenhague, o máximo de carbono a ser emitido na atmosfera no período é 1 mil GtC (bilhões de toneladas de carbono).  Isso porque o efeito é acumulativo, pois o carbono permanece por séculos na atmosfera.
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Então este é o nosso orçamento de carbono para o período de 200 anos. Acontece que, se descontarmos o efeito da emissão de outros gases (200 Gt em carbono equivalente) e o que já foi emitido até 2011 (531 GtC), sobram apenas 271 GtC para emitirmos até o final do século. Isso dá uma média de 3 GtC ou 11 GtCO2 por ano, muito abaixo das emissões atuais de CO2 na casa de 35 Gt/ano (e crescendo).
Não sem motivo, este foi uma dos pontos mais duros do debate final sobre o Resumo para Tomadores de Decisão do primeiro volume do V Relatório do IPCC (AR5). Ao se tornar explícita a existência deste orçamento, cria-se uma pressão para que as partes da convenção (ou seja, os países membros) estabeleçam mecanismo para alocar tal orçamento de carbono no processo de construção do novo acordo internacional do clima, que poderá ser aprovado em 2015, definindo o caminho pós-2020.
Mas qual critério utilizar para dividir a porção do bolo que sobrou? Como incorporar as responsabilidades históricas do que já foi emitido? Como considerar as gerações futuras ou mais de 1 bilhão de pessoas que, hoje, emitem quase nada? Existem diversas possibilidades e todas guardam enormes desafios para que possamos atingir, ao mesmo, tempo eficácia e justiça.
No ritmo atual de crescimento de emissões, este orçamento de carbono será estourado muito antes da metade do século. Só reverteremos este quadro se conseguirmos alterar esta trajetória nos próximos anos. Criar as condições para esta reversão é o desafio central de todos envolvidos na negociação do novo acordo do clima, e ele certamente passa por enfrentar o dilema do último pedaço do bolo.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Como febre acima de 40 graus

"Ninguém embarca em um avião com 5% de chance de não chegar ao destino”. Escutei esse argumento outro dia, de um comentarista cético, sobre o recente relatório sobre mudanças climáticas globais, porque, segundo ele, teria apenas 95% de certeza sobre a relação entre a emissão de gases de efeito estufa e o aquecimento global.

É uma analogia muito distorcida. Na verdade, o postulado é outro: “Ninguém subiria em um avião que tem 95% de chance de cair”.

O debate sobre Mudanças Climáticas voltou à cena com o lançamento, pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da primeira parte do 5º Relatório de Avaliação sobre as Mudanças Climáticas Globais. O relatório, um calhamaço de mais de mil páginas, trata da ciência do Clima, ou seja, do que está acontecendo, das causas das mudanças e dos cenários futuros.

A mensagem principal é direta: o Aquecimento Global sem precedentes (pelo menos nos últimos 800 mil anos) é um fato e as Emissões de gases de efeito estufa são a principal causa. As Mudanças Climáticas decorrentes afetam o nível do mar, a temperatura e a acidez dos oceanos, a extensão e a espessura do gelo nos polos e a disponibilidade de água na Terra. Para estancar esse processo, é preciso reduzir drasticamente as Emissões de gases de efeito estufa, sobre pena de chegarmos ao fim do século com aumento médio de temperatura do planeta em até 4,8°C.

Pode não parecer muito, mas, considerando que a temperatura média da superfície terrestre é de cerca de 14°C, um aumento de “apenas” 2°C é o equivalente a 15% mais. Proporcionalmente, corresponderia a um aumento de 5°C no corpo humano. Uma febre bem acima de 40 graus.

Nos oceanos, que absorvem mais calor, a temperatura média sobe menos; portanto, a média sobre os continentes será ainda maior e, com a variabilidade entre diferentes regiões, em alguns locais o aumento pode chegar ao dobro do aumento médio da temperatura do planeta.

O avanço dos modelos climáticos permitiu ao IPCC gerar mapas e análises específicas para as grandes regiões do planeta, e as notícias para o Brasil não são alentadoras, como já havia adiantado o relatório Avaliação Nacional sobre Mudanças Climáticas, publicado recentemente pelo Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas. Em algumas regiões do país, o aumento da temperatura em 2100 poderia chegar próximo de 7°C, no cenário mais crítico, e a redução da precipitação beirar os 30% entre o Norte e o Nordeste.

Os impactos desses cenários serão objeto da segunda parte do relatório, a ser lançado em março de 2014, e as ações necessárias para mitigar as Emissões e evitar os piores cenários entrarão na terceira parte, a ser publicada no mês seguinte. As conclusões dessa que é a mais extensa, completa e profunda revisão do estado da ciência do Clima já produzida deve ser peça fundamental para informar e dar subsídios para que os tomadores de decisão nos setores público e privado estabeleçam ações para mitigar as Emissões e adaptar as nossas atividades, negócios, infraestrutura e todos os aspectos de nossas vidas para as Mudanças Climáticas contratadas para as próximas décadas.

Avanços importantes começam a acontecer em vários cantos do mundo, e o Brasil, que deu importante contribuição para redução das Emissões globais, com a queda do Desmatamento na Amazônia na última década, precisa enfrentar as contradições atuais que aparecem em várias frentes e fazem com que as Emissões de gases de efeito estufa dos demais setores (como agropecuária, energia, processos industriais e resíduos) caminhem no sentido inverso e subam mais que a média global.

A política de subsídio à gasolina e a reintrodução do carvão mineral na matriz energética são exemplos de que o Brasil está reduzindo de forma acentuada a proporção de energias renováveis em sua matriz (caiu de 45% para 42% em três anos), quando a meta era aumentar essa participação para 48% até 2020.

O processo de atualização do Plano Nacional sobre Mudanças do Clima, atualmente em curso, é excelente oportunidade para realinhar nossas políticas públicas à necessidade clara de reduzir Emissões e nos adaptarmos o novo cenário. Infelizmente, a primeira versão dessa atualização, colocada em consulta pública recentemente pela Casa Civil, está muito longe de garantir esse realinhamento. Ainda há muito trabalho pela frente. É preciso colocar a mão na massa já.

Publicado no Correio Brasiliense em 10/10/2013 

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O que diz o IPCC: as mudanças climáticas são reais e nós somos os principais responsáveis

Hoje o IPCC começou a publicar o seu 5º Relatório de Avaliação sobre as Mudanças Climáticas Globais. O primeira das quatro partes do relatório foi lançado hoje em Estocolmo e trata da ciência do clima, ou seja, o que esta acontecendo com o clima global, quais as causas das mudanças e quais os cenários futuros para estas mudanças.

Um resumo super sintético do relatório é: O aquecimento global sem precedentes é um fato e as emissões de gases de efeito estufa são a principal causa. Os mudanças climáticas provocadas por este aquecimento afetam nível do mar, temperatura e acides dos oceanos, extensão e espessura do gelo nos polos e disponibilidade de água no planeta. Para estancar este processo é preciso reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa sob pena de chegarmos ao final deste século com aumento médio de temperatura do planeta em até 5,8oC (40% do que no inicio do século passado).

Com o grande avanço dos modelos climáticos foi possível gerar mapas e análises especificas para as grandes regiões do planeta e as notícias para o Brasil não são alentadoras como já havia sido adiantado pelo Relatório Avaliação Nacional sobre Mudanças Climáticas publicado recentemente pelo Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas. No Brasil o aumento de temperatura em 2100 poderia chegar a 7oC no cenário mais crítico e a redução da precipitação pode chegar a 30%  entre as regiões norte e nordeste.

Os impactos destes cenários serão objeto da segunda parte do relatório a ser lançado em março de 2014 e as ações necessárias para mitigar as emissões e evitar os piores cenários serão objetivo da terceira parte do relatório a ser publicada em abril de 2014.

As conclusões deste que é a mais extensa, completa e profunda revisão do estado da ciência do clima já produzido deve ser peça fundamental para informar e dar subsídios para que os tomadores de decisão no setor publico e privado estabeleçam ações para mitigar as emissões e adaptar as nossas atividades, negócios, infraestrutura e todos aspectos de nossa vidas para as mudanças climáticas já contratadas para as próximas décadas.

Abaixo estão as 19 principais mensagens do relatório do IPCC publicado hoje.

Sobre as mudanças observadas no sistema climático:

1.    O aquecimento do sistema climático é inequívoco , e desde os anos 1950, muitas das mudanças observadas são sem precedentes ao longo de décadas a milênios. A atmosfera e o oceano se aquece , as quantidades de neve e gelo tem diminuído, o nível do mar subiu, e as concentrações de gases de efeito estufa aumentaram.

2.    Cada uma das três últimas décadas tem sido sucessivamente mais quente na superfície da Terra do que qualquer década anterior desde 1850 . No Hemisfério Norte , 1983-2012 foi o período de 30 anos mais quente dos últimos 1400 anos.

3.    O aquecimento dos oceanos domina o aumento da energia armazenada no sistema climático, o que representa mais de 90% da energia acumulada entre 1971 e 2010 e por isso o oceano superior (0-700 m) aqueceu.

4.    Ao longo das duas últimas décadas, as camadas de gelo da Groenlândia e da Antártida têm perdido massa, geleiras continuaram a encolher em quase todo o mundo, e o gelo do mar Ártico e a cobertura de gelo na primavera do hemisfério norte continuaram a diminuir em extensão.

5.    A taxa de aumento do nível do mar desde meados do século 19 tem sido maior do que a taxa média durante os dois milênios anteriores. Durante o período de 1901-2010 , o nível mundial do mar médio subiu 0,19 metros.

6.    As concentrações atmosféricas de dióxido de carbono (CO2) , metano (CH4) e óxido nitroso (N2O) aumentaram para níveis sem precedentes, pelo menos nos últimos 800 mil anos . Concentrações de CO2 aumentaram em 40% desde os tempos pré-industriais, principalmente a partir de emissões de combustíveis fósseis e, secundariamente, de emissões de mudança líquidas de uso da terra. O oceano absorveu cerca de 30% do dióxido de carbono antropogénico emitido, causando a acidificação do oceano .

Sobre as causas das mudanças observadas e o entendimento do sistema climático

7.    O forçamento radioativo é positivo, e levou a uma absorção de energia pelo sistema climático. A maior contribuição para radiativa total de forçando é causada pelo aumento da concentração atmosférica de CO2 desde 1750.

8.    Influência humana sobre o sistema climático é clara. Isto é evidente a partir das crescentes concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera, forçante radiativa positiva, o aquecimento observado e a compreensão do sistema climático.

9.    Os modelos climáticos melhoraram desde que o IV relatório (AR4 – 2007). Os Modelos reproduzem em escala continental os padrões de temperatura de superfície e as tendências observadas ao longo de muitas décadas, incluindo o aquecimento mais rápido desde meados do século 20 e o esfriamento imediatamente após grandes erupções vulcânicas.

10.  Estudos observacionais e modelo de mudança de temperatura, reações climáticas e as mudanças no balanço energético da Terra, juntos, oferecem confiança na magnitude do aquecimento global em resposta ao forçamento do passado e do futuro.

11.  Influência humana foi detectado no aquecimento da atmosfera e do oceano, em mudanças no ciclo hidrológico global, em reduções em neve e gelo, na média global o aumento do nível do mar, e em mudanças em alguns eventos climáticos extremos. Esta evidência de influência humana tem crescido desde AR4 (relatório anterior do IPCC) .

Sobre os cenários futuros das mudanças climáticas

12.  Manutenção das emissões de gases de efeito estufa provocará um maior aquecimento e as mudanças em todos os componentes do sistema climático. Para restringir ou limitar as alterações climáticas serão necessárias reduções substanciais e sustentadas de emissões de gases de efeito estufa.

13.  Mudança de temperatura da superfície global para o final do século 21 é provavelmente superior a 1,5 ° C em relação a 1850-1900 para todos os cenários RCP (cenários representativos de caminhos/tendencias) , exceto RCP2.6 . O aquecimento vai continuar para além 2100 em todos os cenários RCP , exceto RCP2.6 . O aquecimento continuará a apresentar variabilidade interanual ou interdecadas e não será uniforme regionalmente.

14.  Mudanças no ciclo global da água em resposta ao aquecimento ao longo do século 21 não será uniforme . O contraste da precipitação entre as regiões úmidas e secas e entre as estações chuvosa e seca vai aumentar, embora possa haver exceções regionais.

15.  O oceano global vai continuar a aquecer durante o século 21 . O calor vai penetrar desde a superfície até o fundo do oceano e afetar a circulação oceânica .

16.  É muito provável que a cobertura de gelo do mar Ártico continuará a encolher e afinar e que no hemisfério norte a cobertura de neve naprimavera vai diminuir durante o século 21 conforme aumenta a temperatura média da superfície global . Volume global geleira vai diminuir ainda mais  

17.  Nível médio do mar global vai continuar a subir durante o século 21. Em todos os cenários RCP a taxa de aumento do nível do mar, muito provavelmente, será superior à observada durante 1971-2010, devido ao aumento aquecimento dos oceanos eo aumento da perda de massa das geleiras e camadas de gelo .

18.  A mudança climática afetará os processos do ciclo de carbono de uma maneira que irá agravar o aumento de CO2 na atmosfera. Além disso absorção de carbono pelo oceano aumenta a acidificação do oceano .

19.  Emissões cumulativas de CO2 em grande parte determinam o aquecimento superficial média global até o final do século 21 e além. A maioria dos aspectos das alterações climáticas vai persistir por muitos séculos, mesmo se as emissões de CO2 cessem completamente. Isso representa um comprometimento multi-cecular substancial das mudança climática criado pelas emissões passadas, presentes e futuras de CO2.